BABE RUTH – FIRST BASE (1973)

Junho 27, 2009

BABE RUTH - MELHOR

    First Base do Babe Ruth é daqueles discos que me conquistaram logo na primeira orelhada. O álbum lançado pelo selo Harvest (EMI) em 1973 é a brilhante estréia da banda inglesa de Hatfield, e traz em suas 6 faixas uma interessante combinação de estilos, reunindo características do hard rock, rock progressivo, jazz e música pop. Criado em 1971 pelo guitarrista Alan Shacklock e conhecido inicialmente como Shacklock, o grupo logo teve seu nome alterado para Babe Ruth, em homenagem ao lendário jogador de baseball americano George Herman “Babe Ruth”. Mudanças no line-up, cinco discos oficiais lançados entre 1973 e 1976, um longo recesso e o retorno em 2002 – quando começou a compor o álbum Que Pasa, só finalizado em 2006. O certo é que o combo nunca mais  alcançou o mesmo nível de qualidade musical de First Base

    A formação neste debut discográfico incluia Alan Shacklock (guitarra, vocais, órgão e percussão), Janita “Jenny” Haan (vocal), Dave Hewitt (baixo), Dick Powell (bateria e percussão) e Dave Punshon (piano e piano elétrico). Outros músicos que marcaram presença no Abbey Road Studios, em Londres, foram Gaspar Lawal (congas, bongos, kabasa), Brent Carter (saxofone) e Harry Mier (oboé), além de um quarteto de violoncelistas composto por Peter Halling, Clive Anstee, Manny Fox e Boris Rickleman. Com arranjos bem estruturados, a arquitetura sonora era moldada por uma cozinha robusta, passagens sutis e estilosas de teclados, riffs e frases precisas a cargo do guitarrista Alan Shacklock (que também fez os arranjos e escreveu boa parte  das composições) e claro, pelo poderoso e marcante vocal de Janita Haan. Seu canto, pode-se dizer, é algo próximo de uma mistura dos timbres vocais de Robert Plant e Janis Joplin. Um arraso!

babe ruth - janita haan maior

Janita “Jenny” Haan

    O álbum abre com a faixa “Wells Fargo”, numa pegada hard rock, mas com piano elétrico constante, intervenções maneiras de sax e um instrumental refinado que dá um revigorante aspecto jazzístico à composição. “The Runaways” tem estruturas harmônica e melódica de intensa beleza, realçadas por instrumentos de cordas, oboé e o piano elétrico de Punshon. Agora a voz expressiva de Janita Haan passeia em meio a uma balada mezza folk, mezza progressiva, com uma sonoridade que se assemelha aos conterrâneos do Renaissance. Nesta faixa primorosa, a bateria é pilotada por Jeff Allen. Encerrando o lado A do vinil, uma versão simples e honesta de “King Kong” – obra de Frank Zappa, gravada com o Mothers of Invention originalmente no álbum Lumpy Gravy (1968) e retomada com maior consistência no duplo Uncle Meat (1969). Um clássico zappiano gravado sem nenhum overdubbing ou qualquer tramóia eletrônica, conforme indica a contra-capa do disco. Grande homenagem ao mestre!

    O lado B tem início com “Black Dog”, outra bela canção interpretada de forma sublime por Janita que mais uma vez é muito bem assessorada por teclados, guitarra e uma condução rítmica impecável. Mas o maior destaque do álbum é a faixa “The Mexican”, trazendo à tona a clássica “Per Qualche Dollaro in Piu”, tema “Western Spaghetti” do compositor e maestro italiano Ennio Morricone, numa versão original e simplesmente espetacular. Não é exagero afirmar que esta é uma das minhas músicas prediletas em todos os tempos. Fechando o disco, “Joker” engatilha outro hard rock fulminante, com ótimos fraseados e riffs de guitarra, base percussiva animal e a voz contundente de Janita – aliás, bem parecida também com o timbre da vocalista Inga Rumpf, da banda alemã Frumpy. Sonzeira!

    Apesar das críticas favoráveis na época de seu lançamento, o álbum obteve pouco sucesso comercial na Grã-Bretanha, só alcançando relativo sucesso nos Estados Unidos e no Canadá. A capa (com desenho futurista que sugere uma partida de baseball em pleno espaço sideral ou quem sabe, na escuridão do fundo do mar) tem a assinatura de ninguém menos que Roger Dean, o cultuado designer e ilustrador inglês, responsável pela criação de capas antológicas de álbuns do Yes, Uriah Heep, Budgie, Greenslade, Osibisa, Atomic Rooster e Asia, entre tantos outros grupos de respeito. É só a embalagem de uma obra indispensável para os amantes da boa música e item obrigatório numa coleção de respeito. Já tinha o CD velho de guerra e no começo do ano, consegui o vinil original (made Canadá) em excelente estado e por um preço pra lá de camarada. Tacada de mestre!

Faixas: 01. Wells Fargo / 02. The Runaways / 03. King Kong / 04. Black Dog / 05. The Mexican / 06. Joker 

Download: http://www.mediafire.com/?e3zjnigtm0u

Senha: LUCY  

BABE RUTH – WELLS FARGO

BABE RUTH – THE RUNAWAYS

BABE RUTH – KING KONG

ZAPPA / MOTHERS OF INVENTION – KING KONG

BABE RUTH – BLACK DOG

BABE RUTH – THE MEXICAN

BABE RUTH – THE MEXICAN

ENNIO MORRICONE – PER QUALCHE DOLLARO IN PIÙ (ABERTURA DO FILME DE SERGIO LEONE)

PER QUALCHE DOLLARO IN PIÙ (TRECHO FINAL DO FILME DE SERGIO LEONE)


GENTLE GIANT – ACQUIRING THE TASTE (1971)

Maio 30, 2009

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    Infalivelmente uma das mais fascinantes e criativas agremiações do rock progressivo em todos os tempos, o Gentle Giant surgiu em 1970 a partir das cinzas do combo Simon Dupree and The Big Sound. O grupo britânico criado pelos irmãos Derek, Ray e Phil Shulman marcou seu nome na história do rock desenvolvendo uma sincronia sonora cabulosa, combinando prog rock, hard rock, jazz, folk e elementos de músicas medieval, renascentista, barroca e clássica.

    Sua estrutura musical complexa, sofisticada e de raríssima beleza, conseguiu cativar este bolha sinistro ao longo dos anos, ao passo em que explorava a sua discografia. Bandaça, cujo símbolo e mascote é uma cria do escritor renascentista francês François Rabelais: ninguém menos que Pantagruel, o gigante gentil que inclusive protagoniza algumas das letras da turma. Em 10 anos de carreira, lançaram 12 discos oficiais – a maioria deles, verdadeiras pérolas do progressivo. 

    Os oito primeiros discos (mais o ao vivo Playing the Fool, de 1977) são essenciais para ir a fundo no que de melhor a banda produziu em uma década de existência, antes de encerrar as atividades em 1980. Já que o assunto são obras primas discográficas do Gigante Gentil, nada melhor do que postar aqui no blog o segundo álbum do grupo, lançado em 1971 pelo cultuado selo Vertigo: o experimental e sombrio Acquiring the Taste. Engraçado que não era o meu disco predileto da trupe – curtia mais o Three Friends (72), o Octopus (72) e o The Power and The Glory (74) – mas diríamos que com o tempo, fui adquirindo gosto pela coisa e hoje é o meu play favorito. 

    A formação aqui era a mesma do primeiro álbum homônimo, lançado em 1970: Derek Shulman (vocal, saxofone e clavicórdio), Ray Shulman (baixo, violino, viola, violão de 12 cordas, guitarra espanhola, tamborim e vocais), Phil Shulman (vocal, saxofone, trompete, clarinete, piano e maracas), Kerry Minnear (piano elétrico, órgão, Moog, mellotron, xilofone, vibrafone, clavicórdio, cravo, maracas e vocal), Gary Green (guitarras de 6 e 12 cordas, percussão e vocais) e Martin Smith (bateria, tamborim e percussão). É notável a parafernália de instrumentos pouco utilizados na esfera do rock. É também o segundo e último disco do GG com produção do mago Tony Visconti (que deitou fama produzindo trabalhos de David Bowie, T. Rex e outros tantos artistas e bandas no decorrer da carreira). 

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Gary Green, Ray Shulman e Kerry Minnear em 1975

    A ousada capa de Acquiring The Taste trazia um desenho que, a princípio, mais parecia uma língua prestes a lamber um traseiro. Porém, ao abrir a capa dupla, a imagem pervertida é desvendada: o suposto traseiro não passa de um pêssego, próximo de ser devorado. Uma iguaria sonora pra lá de suculenta, contendo uma coleção magnífica de músicas estranhamente belas e dissonantes, feitas para pulverizar a mente dos incautos.

    Faixas como “Pantagruel’s Nativity”, “Edge Of Twilight”, “The House, The Street, The Room”, “Wreck”, “The Moon Is Down”, “Black Cat” ou “Plain Truth” mostram toda a inventividade e técnica do sexteto: harmonias melódicas surreais, texturas sonoras fantásticas, camadas vocais assombrosas, riqueza absurda nas composições, arranjos estranhamente belos, ousadia instrumental sem igual e nada, nadinha de melodias fáceis. Tudo sob a tutela de músicos de outra dimensão. Um disco anticomercial, de sonoridade difícil e que deu a eles o status de banda cult. Um registro no mínimo indispensável! 

    Um detalhe é que todos os músicos que passaram pelo Gentle Giant – incluindo os bateristas Malcolm Mortimore (que participou do álbum Three Friends) e o maluquete John  Weathers (que estreou no excepcional Octopus e permaneceu na banda até o fim, gravando o derradeiro Civilian de 1980) – eram virtuoses em seus instrumentos. Kerry Minnear, por exemplo, não é só um dos melhores tecladistas da história do rock, como também é mestre arranjador e graduado em composição na Academia Real de Música. E o quê falar da versatilidade nas instrumentações dos irmãos Shulman? E quanto às geniais intervenções guitarrísticas de Gary Green? Surreal, meus amigos… surreal! 

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Derek Shulman segurando a onda do Gigante Gentil

    Outro fator importante é que todos os integrantes cantavam. E como compreender o entrosamento vocal sobrenatural dessa turma? Coisa de louco! Uma combinação de vocais múltiplos e sincronizados, criando uma atmosfera do além. Os solos vocais ficavam a cargo principalmente de Derek Shulman (aquele com a voz mais grave e pesada), mas Kerry Minnear (com seu timbre suave e celestial) e Phil Shulman (cuja voz se situa, por suas características, no meio das duas anteriores, no meio-termo) também participam com maestria das vocalizações. Vale lembrar que Phil deixou a banda em 1973, pouco depois do lançamento do álbum Octopus. 

    No palco, o show de virtuosismo era marca registrada da banda. Todos eles multi-instrumentistas, chegavam a provocar admiração e assombro do público com a mudança freqüente de instrumentos, e também com a complexidade e a riqueza de suas composições e arranjos. Uma banda com um grau de excelência do mesmo nível de outros monstros sagrados do progressivo britânico como King Crimson, Yes ou Emerson, Lake & Palmer, por exemplo. Vejam o DVD Giant on the Box (com apresentações do grupo em emissoras de TV da Alemanha e dos Estados Unidos entre 1974 e 1975) e comprovem. Simplesmente fantástico! 

    Buenas, a verdade é que sou um bolha bem suspeito pra falar de Gentle Giant. Prova maior é que recomendo toda a discografia da banda, mesmo porque discos bem menos inspirados como The Missing Piece (77), Giant For a Day (78) ou mesmo Civilian (80), são bem melhores que muitas das babas sonoras produzidas na música de tempos em tempos. Certeza! 

Faixas: 01. Pantagruel’s Nativity / 02. Edge Of Twilight / 03. The House, The Street, The Room / 04. Acquiring the Taste / 05. Wreck / 06. The Moon Is Down / 07. Black Cat / 08. Plain Truth 

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GENTLE GIANT – PANTAGRUEL’ S NATIVITY

GENTLE GIANT – EDGE OF TWILIGHT (WITH THE MUPPETS)

THREE FRIENDS (KERRY MINNEAR, GARY GREEN, MALCOLM MORTIMORE…) – THE HOUSE, THE STREET, THE ROOM

GENTLE GIANT – WRECK

GENTLE GIANT – BLACK CAT


MAMMA CADELA – EM BUSCA DA VERDADE (2006)

Abril 30, 2009

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    Nos últimos anos o rock instrumental brazuca tem mostrado força e vigor com o surgimento de grandes bandas no cenário nacional, e exemplos dessa vitalidade não faltam: Pata de Elefante (RS), Macaco Bong (MT), Retrofoguetes (BA), Go! (RJ), Gasolines (SP), Chimpanzé Clube Trio (SP), Guizado (SP) e por aí vai. Seguindo esta estética sonora, o Mamma Cadela despontou na cena underground de São Paulo, e depois de gravar dois EPs no biênio 2004 e 2005, lançou em dezembro de 2006, de forma independente, o seu disco de estréia intitulado Mamma Cadela em Busca da Verdade

    Projeto paralelo do guitarrista Fernando Coelho (também integrante do Seychelles), o Mamma Cadela faz um instrumental calcado nas correntes do jazz contemporâneo, da música experimental, do trip-hop e do rock psicodélico dos anos 60 e 70. Música de vanguarda e de conexões diversas. Nesse caldeirão sonoro, ascendências sônicas que remontam a Frank Zappa, Hermeto Pascoal, Kraftwerk e Pink Floyd. Outra influência declarada é a de Nino Rota, compositor italiano de trilhas sonoras, cujo talento está imortalizado em vários dos filmes de Federico Fellini, Luchino Visconti, Franco Zeffirelli e Francis Ford Coppola. 

    Apesar dos elementos do passado, a proposta da trupe é esculpir um novo formato para a música instrumental, cuja fórmula reúne arranjos de dinâmicas variáveis, que aliam harmonias complexas e melodias delicadas, alternando atmosferas sombrias e melancólicas, com outras mais divertidas. Além de Coelho, completam o núcleo paulistano os músicos Rodrigo Fonseca (baixo, charango, teremin), Ladislau Kardos (bateria), Fabio Pinc (teclados e samplers) e Ismael Sedenski (pick-ups e sintetizadores). Neste debut, o quinteto ganha o reforço de um quarteto de cordas e instrumentos de sopro que incrementam as maquinações sonoras. 

    O disco foi produzido por Fabio Pinc (que também trabalha com as bandas Seychelles e Ludov) e o material foi quase todo gravado ao vivo, trazendo algumas participações especiais. Na bela “Meus Eletrodomésticos”, a cantora Wanderlea interpreta fragmentos de “Antonico”, música de Ismael Silva. Em “Lapin Noir”, Joana Cecatto (da banda paulistana Biônica) canta em francês um tema esquisito que conta a “trágica” história de um coelho preto chamado Antônio. Em ambos os casos, o recurso de vozes não é exatamente como vocais, mas em forma de declamações e narrativas -  como acontece também com a climática e sensorial “Da Espanha pro Brasil”, que traz um cântico soturno, em espanhol.

Mamma Style, a mascote do Mamma Cadela. Criação de Alex Senna

    Outros destaques são as faixas “Lição Marítima nº 3” (com interferências guitarrísticas que lembram as artimanhas de David Gilmour); “Abraço dos  Militares” (que inclui marcha marcial, discurso de general e climão tenso nas instrumentações); “Dentadura de Robô” (bem poderia se chamar “trilha sonora retro-futurista para filmes imaginários e sem sentido”); “Natunobilis” (um drink sonoro relaxante, consumido por um belo arranjo de cordas); “Jantar com Kubrick” (a mais experimental do disco, traz trompete, sinos, gritos e ruídos fantasmagóricos, além de participação especial do “Monstro do Abismo”, segundo o encarte); e a dobradinha “A Suiça me Deixou sem Suingue” (com uma arquitetura sonora instigante e inquietante) e “Bohemia sem Calcinha” (que encerra maliciosamente as festividades, incorporando trecho da música “A Semente” dos Seychelles, numa levada turbinada com metais na participação do saxofonista Guilherme Garbato do grupo Abimonistas). Mamma mia!

    Já vi uma apresentação dos caras no Museu da Imagem e do Som (SP) em meados de 2007 e o suporte musical é soberano.  Lembro que além da massa sonora sofisticada e criativa, o show era moldado por luzes e projeções de filmes em películas, culminando em um belo espetáculo audiovisual. Ao fundo do palco onde a banda se apresentava, eram projetados trechos do documentário Koyaanisqatsi de Francis Ford Coppola e do clássico Os Pássaros de Alfred Hitchcock, criando uma atmosfera envolvente e fascinante.

    Pra quem curte o som da banda e já está com o play Em Busca da Verdade desintegrado de tanto escutar, resta aguardar o lançamento do segundo disco da turma que, diz a lenda, deve estar estourando na praça ainda este ano. E algumas destas novas composições já foram apresentadas nos shows da trupe nos últimos três anos. As inéditas “Cookie Monster”, “Estive Onde?”, “O Travesseiro do Serial Killer”, “Pinga de Churumi” e “Lição Marítima n° 5”  são pistas que mostram que o Mamma Cadela segue firme a trilha sonora de música futura, de um mundo desconhecido e sobrenatural. Mamma Style!

Faixas: 01. Lição Marítima nº 3 / 02. Papa à Passarinho / 03. Meus Eletrodomésticos / 04. Abraço dos Militares / 05. Dentadura de Robô / 06. Lapin Noir / 07. Da Espanha pro Brasil / 08. Natu Nobilis / 09. Jantar com Kubrick / 10. A Suiça me deixou sem suingue / 11. Bohemia sem Calcinha 

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MAMMA CADELA – LIÇÃO MARÍTIMA N° 3

MAMMA CADELA – PAPA À PASSARINHO

MAMMA CADELA – MEUS ELETRODOMÉSTICOS

MAMMA CADELA – ABRAÇO DOS MILITARES

MAMMA CADELA – ABRAÇO DOS MILITARES

MAMMA CADELA – JANTAR COM KUBRICK

MAMMA CADELA – BOHEMIA SEM CALCINHA

MAMMA CADELA – COOKIE MONSTER

MAMMA CADELA – ESTIVE ONDE?

MAMMA CADELA – O TRAVESSEIRO DO SERIAL KILLER

MAMMA CADELA – O TRAVESSEIRO DO SERIAL KILLER

MAMMA CADELA – PINGA DE CHURUMI

MAMMA CADELA – LIÇÃO MARÍTIMA Nº 5


CACTUS – CACTUS (1970)

Abril 5, 2009

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    Um dos grandes representantes do hard rock americano dos anos 70, o Cactus foi projetado inicialmente para ser um supergrupo, tendo à frente as figuras de Jeff Beck na guitarra, Rod Stewart nos vocais e a ex-cozinha do Vanilla Fudge – o baixista Tim Bogert e o baterista Carmine Appice. Mas as pretenções foram por água abaixo quando o genial guitarrista britânico sofreu um acidente automobilístico que o afastou de cena por um tempo, inviabilizando esta empreitada. Rod Stewart, por sua vez, acabou tomando outra direção. Além de investir em sua carreira solo, se aliou ao guitarrista Ron Wood – parceiro da primeira encarnação do Jeff Beck Group e futuro membro dos Rolling Stones – para juntos, integrarem o line-up de outra bandaça: os Faces.  

 

    Com as duas baixas inesperadas, Bogert e Appice assumiram as rédeas do combo e partiram então para um plano B, e ao final dos anos 60, a formação clássica do Cactus começou a tomar forma. Para completar o time, foram recrutados o vocalista Rusty Day (que vinha do Amboy Dukes, a banda de Ted Nugent) e o guitarrista Jim McCarty (que acumulava trabalhos com os combos Mitch Ryder’s Detroit Wheels e The Buddy Miles Express). Com este quarteto demolidor e experiente, gravaram entre 1970 e 1971, os três primeiros álbuns da banda: Cactus (1970), One Way… Or Another (1971) e Restrictions (1971). Meses depois do lançamento do terceiro LP, alguns desentendimentos fizeram com que Jim McCarty e Rusty Day deixassem a banda.   

 

    Este auto-intitulado disco de estréia foi lançado em 1970 pelo selo Atco, e mostrava as características marcantes do alicerce sonoro do grupo: um rock pesado, cru e de sonoridade suja, com uma pegada blueseira venenosa e algumas partículas country pra levantar a poeira da estrada. Elementos poderosos espalhados nas 8 faixas do LP original, que não à toa, é considerado um dos grandes lançamentos do rock pesado dos anos 70. Na estante de discos, guardo este e os outros LPs do Cactus lado a lado com outras porradas sônicas do naipe de Sir Lord Baltimore, Captain Beyond, Grand Funk Railroad, Dust, Blue Cheer, Mariani, Mountain ou West, Bruce & Laing - só pra ficar em algumas das bandas americanas adeptas da pancadaria sonora geral e irrestrita. 

 

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Da esquerda para a direita, em sentido horário: Jim McCarty, Tim Bogert, Carmine Appice e Rusty Day, à frente do Cactus.

    Pesos pesados à parte, o álbum de estréia do Cactus atinge o ouvinte como um upper certeiro no queixo. Abre com a agressiva “Parchman Farm”, de Mose Allison, uma pedrada nos ouvidos com andamento alucinado e que foi regravada por outras bandas estilosas como o Blues Project e o Blue Cheer. “My Lady from South of Detroit” é uma bela canção com acentos country, daquelas que surgem como brisa em meio a um sol escaldante… ponha o cavalo na sombra, deite numa rede e relaxe. “Bro. Bill” é outra pérola blueseira que agrega belos dedilhados de McCarty, gaita maliciosa de Rusty Day, seção rítmica impecável e vocais vibrantes pra ensolarar o dia cinzento de qualquer bolha gosmento. Outro destaque vai para a versão venenosa de “You Can’t Judge a Book by the Cover” de Willie Dixon, com um arranjo envolvente e criativo, alternando climas amenos com levadas mais quentes nas instrumentações.   

    “Let Me Swim”, com a clássica pegada possante da trupe, abre o lado B do vinil, impondo um hard rock matador, com direito a riffs pulverizantes e boas intervenções solísticas a cargo de Mr. McCarty. “No Need To Worry” é um blues arrasador, com andamento lento e vocal rasgado de Rusty Day, em mais um grande momento da banda. “Oleo” tem um temperamento boogie, com nova leva de solos matadores não só da guitar de McCarty, como também do baixo de Bogert. Em “Feel So Good”, riffs, timbres e grooves funcionam muito bem e o versátil Carmine Appice ainda castiga os bumbos, desferindo um solinho maneiro que comprova suas habilidades com as baquetas.  

 

    Musicalmente falando, o álbum apresenta os integrantes em performances arrebatadoras: muitos arpejos de gaita e o vocal indócil de Rusty Day, riffs e solos afiadíssimos vindos da guitarra de Jim McCarty e a cozinha entrosada e técnica dos virtuosos Bogert e Appice. Um álbum essencial para os admiradores do rock pesado, do blues e dos bons sons.      

 

     Em 1972, a banda gravou o seu quarto álbum, ‘Ot ‘N’ Sweaty, já com uma outra formação que incluía, além dos remanescentes Bogert e Appice, três novos contratados: o guitarrista Werner Fritzschings, o tecladista Duane Hitchings e o vocalista Peter French (ex-Leaf Hound e Atomic Rooster). Após a dissolução do Cactus em 1972 – e que só gravaria um novo álbum de inéditas em 2006, intitulado Cactus V – Tim Bogert e Carmine Appice ainda juntariam forças para formar ao lado de Jeff Beck, um power trio da pesada: o fantástico Beck, Bogert & Appice. Mas isso é um assunto que fica para uma outra postagem… Castiga!

 

Faixas: 01. Parchman Farm / 02. My Lady from South of Detroit / 03. Bro. Bill / 04. You Can’t Judge A Book By The Cover / 05. Let Me Swin / 06. No Need To Worry / 07. Oleo / 08. Feel So Good 

 

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CACTUS – PARCHMAN FARM

CACTUS – PARCHMAN FARM

CACTUS – LET ME SWIW (JAMMING AT BACKSTAGE)

CACTUS – LET ME SWIW

CACTUS – NO NEED TO WORRY

CACTUS – FEEL SO GOOD

THE SYNDICATS – YOU CAN’ T JUDGE A BOOK BY THE COVER


SUGARMAN 3 – PURE CANE SUGAR (2002)

Março 31, 2009

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    Para aqueles que curtem o rare groove e se amarram nas obscuridades funk dos anos 60 e 70, o revival dessa onda black pode ser absorvido em grande estilo nos discos lançados pela extinta Desco Records. A pequena gravadora americana especializada na difusão do funk e da soul music, atuou no Brooklyn entre 1996 e 2000, antes de encerrar as suas atividades. A partir daí, seus fundadores - os músicos e produtores Gabriel Roth e Phillip Lehman - criaram os selos independentes Daptone e Soul Fire, respectivamente. Os catálogos apresentam títulos ultra recomendados, inclusive as excelentes coletâneas. O objetivo aqui é continuar trazendo à tona, pepitas musicais das esferas da soul music, do funk, do gospel e do afrobeat.

 

    O pessoal do Sugarman 3 é um destes combos que seguem a proposta da Daptone – que soma em seu elenco nomes como Sharon Jones and The Dap-Kings, Lee Fields, The Poets of Rhythm, The Mighty Imperials, The Daktaris, The Soul Providers, The Budos Band, Antibalas, entre outros. Só coisa boa! Já escutei todos os citados e recomendo todos. (risos)

 

    Desde a sua formação em 1996, a trupe novaiorquina do Sugarman 3 gravou bons discos como Sugar’s Boogaloo (1998), Soul Donkey (2000) e Sweet Spot (2001). Estou agora escutando o play Pure Cane Sugar de 2002, quarto lançamento do grupo, e que traz a participação especial do cantor Lee Fields (“Shot Down”) e de outras vozes talentosas como as de Charles Bradley (“Take It As It Come”) e Naomi Davis (“Promisse Land”).  

 

    Mistura de soul, funky, jazz e boogaloo, o que impera na maioria das faixas são os instrumentais conduzidos pelo estiloso órgão Hammond B-3 de Adam Scone que nos remete à sonoridade funk dos anos 60 e 70. Temos também a guitarra suingada de Al Street, Rudy Albin nas baquetas e o líder Neal Sugarman – também um dos donos da estampa Daptone – no trabalho de flautas e incorporando el saxofone man. “Funk So-And-So”, “Pure Cane”, “Modern Jive” (com participação do baterista de jazz Bernard Purdie), “Boscos Blues”, “Country Girl”, “Honey Wagon”, “La Culebra” e “Down To It” são todos temas instrumentais repletos de sutilezas, malandragens e grooves… grooves raros dos 70’s, travestidos de século 21. No mínimo, totalmente excelente!

 

Faixas: 01. Funky So-And-So / 02. Take It As It Come / 03. Pure Cane / 04. Shot Down / 05. Modern Jive / 06. Promised Land / 07. Bosco’s Blues / 08. Country Girl / 09. Honey Wagon / 10. La Culebra / 11. Down To It

 

Link p/ breve audição: 

http://amiestreet.com/music/sugarman-3/pure-cane-sugar/

 

Download: http://sharebee.com/ba561fb8

SUGARMAN 3 – TAKE IT AS IT COME

SUGARMAN 3 & LEE FIELDS – SHOT DOWN

SUGARMAN 3 – MODERN JIVE

SUGARMAN 3 – LA CULEBRA


LEE FIELDS – PROBLEMS (2002)

Março 31, 2009

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    O cantor norte-americano Lee Fields é um músico calejado que vem das antigas. Subestimado, percorreu as sombras do funk e da soul music americana, carregando o fardo dos malditos em grande parte de sua carreira. Nessa vibe, colecionou uma série de infortúnios musicais: singles sem sucesso lançados entre 1969 e 1979, um malfadado LP gravado em 1979 (Let’s Talk It Over) e ostracismo reinante até 1992 – ano que finalmente voltou à ativa e teve seu valor reconhecido por colecionadores de rare grooves e aficionados pelo som black dos anos 70. Aos poucos, o seu talento artístico também foi sendo redescoberto por uma nova geração de admiradores.

 

    Revigorado, lançou grandes preciosidades da música negra norte-americana através dos selos Ace, Desco, Daptone e Soul Fire. Álbuns como Enough is Enough (1992), Let’s Get a Groove On (1999) ou Problems (2002) são os indícios de como é possível resgatar a sonoridade funk das antigas, com belos instrumentais e o groove deformando as orebas. Tanto pelo estilo do som como pelo jeito de cantar e se portar no palco, Lee Fields passou a ser chamado no decorrer da carreira de Little J.B. (Pequeno James Brown), o que cá entre nós, está de bom tamanho.

 

    Problems é considerado pelos críticos e colecionadores como o melhor trabalho de Fields. Saiu em 2002 pela estampa Soul Fire, trazendo a participação dos seguintes músicos: Lee Fields (vocal), Leon Michels (flauta, saxofone, guitarra e baixo), Nick Movshon (baixo, bateria, guitarra, percussão e vocais), Olu “Rocksteady” Owudemi (bateria e percussão), Mike Wagner (trombone e guitarra), Homer Steinweiss (bateria), Mike Lenart (trumpete), Todd Simon (trumpete), Martin Perna (saxofone), Fernando “Bugaloo” Velez (congas e percussão), Dave “Philly Soul” Brown (bateria e percussão), Leona Frazier e Sharonda Frazier (backing vocal).

 

    Na cola de James Brown, Fields segue os passos do mestre abordando temas como a criminalidade, a pobreza nos guetos, amor, relacionamentos e drogas. Faixas como “Problems”, “Rapping With Lee”, “Bad Trip”, “I Don’t Know Where I’m Going”, “Clap Your Hands”, “Honey Dove” e a instrumental “Get On The Good Foot” são os temas que mais gosto, trazendo uma base percussiva sólida, instrumentos de sopro, guitarras wah wah e linhas de baixo estilosas que encaixam como uma luva nos arranjos. Estrutura sônica perfeita para Fields descarregar o seu vocal a la James Brown, alternando timbres suaves com outros mais ríspidos. O posto de Soul Brother n° 2 parece que está definitivamente preenchido pelo enigmático e talentoso Lee Fields.  

 

Faixas: 01. Problems / 02. The Right Thing / 03. Rapping With Lee / 04. Bad Trip / 05. Get On The Good Foot / 06. I Don’t Know Where I’m Going / 07. Clap Your Hands / 08. Honey Dove / 09.  I’m The Man / 10. You Made A New Man Out Of Me 

 

Link p/ breve audição:

http://www.allmusic.com/cg/amg.dll?p=amg&sql=10:gifexq8aldte

Download: http://www.mediafire.com/?gp3zj57dphd

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LEE FIELDS – GET ON THE GOOD FOOT

LEE FIELDS – HONEY DOVE

LEE FIELDS & THE EXPRESSIONS – MY WORLD

LEE FIELDS – GOT TO GET THROUGH TO YOU


RARE EARTH – WILLIE REMEMBERS (1972)

Março 21, 2009

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    Formado em 1967 na cidade de Detroit, o Rare Earth foi o primeiro grupo branco a fazer parte do cast de uma gravadora negra – nada menos que a lendária Motown, berço de artistas fundamentais do R&B e do soul como Stevie Wonder, Marvin Gaye, Temptations, Four Tops, The Supremes e Jackson 5, entre outros. Em plena efervescência rocker da cidade dos motores, os branquelos americanos conseguiram criar um universo sonoro peculiar, mesclando à sua identidade black, elementos do R&B, hard rock e psicodelia. Sua estrutura musical recheada de grooves e suingue, trazia vocais vigorosos, insinuantes linhas de baixo, além de guitarras wah-wah e base percussiva envolventes.

 

    O grupo teve sua fase áurea entre 1968 e 1973, e contou neste período com músicos importantes em sua configuração como Pete Rivera (vocal, bateria e percussão), Gil Bridges (saxofone, flauta e vocais), John Persh (baixo, trombone e vocais), Mike Urso (baixo e vocais), Ray Monette (guitarra e vocais), Ed Guzman (conga e percussão), Mark Olson (teclados e vocais), Rod Richards (guitarra) e Kenny James (teclados). A gravadora Motown, visando atrair o público branco e rockeiro da cena local, criou então a estampa Rare Earth Records para abrigar os lançamentos da agremiação.

 

    Nessa leva, alguns discos eu recomendo sem pestanejar: Get Ready (1969), Ecology (1970), One World (1971), Rare Earth in Concert (1971), Willie Remembers (1972) e Ma (1973). Outra boa pedida é o primeiro registro da banda intitulado Dreams/Answers e que foi lançado pelo selo Verve em 1968. Considerado o disco mais raro da turma, o bolachão é disputado à foice pelos colecionadores do planeta. A trupe gravou outros LPs interessantes a partir de 1973, mas sem a mesma pegada destes primeiros. Bolha de respeito tem que ter pelo menos unzinho deles na coleção. Mas um disco só é muito pouco diante de verdadeiras pérolas discográficas.

 

    Pra quebrar o gelo, deixo aqui o link para download do álbum Willie Remembers de 1972, que é um dos meus discos favoritos do grupo. Com produção conjunta de Tom Baird e do próprio Rare Earth, contém faixas essenciais como “Good Time Sally”, “Every Now and Then We Get to Go on Down to Miami”, “Come With Your Lady”, “We’re Gonna Have a Good Time” e “I Couldn’t Believe What Happened Last Night”São apenas alguns petardos que mostram toda a competência e musicalidade deste combo altamente recomendado. Se prepare que a parada sonora é daquelas pra encher o tanque, calibrar a alma e sair cantando pneu rumo à estação black’n’roll. Segura mano brown!

 

Faixas: 01. Good Time Sally / 02. Every Now and Then We Get to Go on Down to Miami / 03. Think of the Children / 04. Gotta Get Myself Back Home / 05. Come With Your Lady / 06. Would You Like to Come Along / 07. We’re Gonna Have a Good Time / 08. I Couldn’t Believe What Happened Last Night

 

Download: http://www.megaupload.com/?d=28EGVMAV

ou

Download: http://www.badongo.com/pt/cfile/7947898 

RARE EARTH – GOOD TIME SALLY

RARE EARTH – EVERY NOW AND THEN WE GET TO GO ON DOWN TO MIAMI

RARE EARTH – WOULD YOU LIKE TO COME ALONG

RARE EARTH – WE’RE GONNA HAVE A GOOD TIME


PINK FAIRIES – NEVER NEVER LAND (1971)

Fevereiro 28, 2009

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    Formado em 1970 e punk antes do tempo, o Pink Fairies foi um dos mais ativos grupos da cena underground de Londres, ao lado de conterrâneos como Hawkwind e Edgar Broughton Band. A formação inicial era composta pelo canadense Paul Rudolph (guitarra e vocais), Duncan Sanderson (baixo) e Russell Hunter (bateria) – todos ex-integrantes do The Deviants, um combo anárquico inglês liderado pelo músico e jornalista Mick Farren. Completava o quarteto o baterista e vocalista John Alder, mais conhecido como Twink, e que já havia tocado nas bandas Tomorrow e Pretty Things. A fase áurea da banda está registrada nos três discos de estúdio gravados na década de 70 e lançados pela Polydor Records.

 

    O debut é justamente este Never Never Land de 1971 e que vinha embalado em uma capa maravilhosa – um desenho que ilustra os quatro integrantes da banda, representados por quatro gnomos sentados no topo de um planeta, observando o espaço sideral. Em vinil é coisa linda! O design do álbum é uma contribuição da dupla Pennie Smith e Tony Vesely. Com produção conjunta dos Fairies e Neil Slaven, o disco obteve excelente recepção dentro do circuito alternativo, sendo aclamado não só por universitários londrinos, como também por hippies e junkies de plantão, que automaticamente se identificaram com o espírito freak do quarteto. No entanto, a banda nunca alcançou as grandes massas e com o passar dos anos, a sua música foi jogada no pântano das obscuridades musicais.

 

    Sonzeira mesclando toques ácidos de psicodelia com um hard rock vigoroso, vocais rudes e um instrumental arrojado, sujo e malvado, com direito a riffs ganchudos e climas viajantes em algumas das canções. A viagem sonora começa em clima acústico (na versão em vinil) com a introdução de “Do It”mas o tema logo descamba para um som agressivo, com solos de guitarra chapantes a cargo de Paul Rudolph. Um clássico da banda que proclama a anarquia ampla, geral e irrestrita e que inspirou uma geração de ícones do punk rock – entre eles, John Lydon do Sex Pistols.

 

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Pink Fairies em 1970: anarquizando a cena underground de Londres

 

    Outros petardos são as faixas “Say You Love Me” (um energético hard rock conduzido por uma guitarra de timbre sujo e selvagem), “Teenage Rebel” (seção rítmica acelerada, com direito a guitarras nervosas e solo de batera no final) e a fantástica “Uncle Harry’s Last Freak-Out”, trazendo mais de 10 minutos de embate sonoro com guitarras distorcidas e efeitos wah-wah. Uma pegada que lembra o som visceral produzido em Detroit por bandas como Stooges e MC5.

 

    Há espaço também para climas de calmaria lisérgica como mostram as faixas “Heavenly Man” (impossível não associar esse som com aquele praticado pelo Pink Floyd), “War Girl” (composição avassaladora, moldando uma atmosfera cósmica com ecos de “Black Magic Woman” de Peter Green), “Track One, Side Two”, “Never Never Land” e The Dream Is Just Beginning”, todas com belos instrumentais.

 

    Uma ótima estréia, remasterizada e lançada em formato digital, com 4 ou 6 músicas adicionais, dependendo da edição. Além do vinil, tenho uma versão inglesa em cd (tiragem de 500 cópias) com 6 faixas bônus. Destaques para o single “The Snake” (que foi lançado em compacto junto com “Do It” antes da estréia em LP e, inexplicavelmente, subtraído da edição original), “People Call You Crazy” (que trama uma levada de harmônica e vocal com resquícios de Captain Beefhearth) e a maravilhosa “Trouble Coming Everyday”, que segue o rastro de “Trouble Every Day” de Frank Zappa - certamente, uma das influências da trupe. Enfim, um play que não pode faltar em nenhuma coleção que se preze.

 

Faixas: 01. Do It / 02. Heavenly Man / 03. Say You Love Me / 04. War Girl / 05. Never Never Land / 06. Track One, Side Two / 07. Thor / 08. Teenage Rebel / 09. Uncle Harry’s Last Freak-Out / 10. The Dream Is Just Beginning / Bônus: 11. The Snake (Single Version) / 12. Do It (Single Version) / 13. Wargirl (Alternate Extended Mix) / 14. Uncle Harry’s Last Freak-Out (First Version)

 

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Parte 1: http://www.megaupload.com/?d=TLDRXP8E

Parte 2: http://www.megaupload.com/?d=CZ73O9Q6  

PINK FAIRIES – DO IT

PINK FAIRIES – DO IT / SAY YOU LOVE ME (CLIQUE 2 X PARA VER O VIDEO NO TUBE)

PINK FAIRIES – WARGIRL / TEENAGE REBEL (CLIQUE 2 X PARA VER O VIDEO NO TUBE)

PINK FAIRIES – NEVER NEVER LAND

PINK FAIRIES – UNCLE HARRY’S LAST FREAK-OUT

PINK FAIRIES – UNCLE HARRY’S LAST FREAK-OUT / CITY KIDS

PINK FAIRIES – THE SNAKE / CITY KIDS (CLIQUE 2 X PARA VER O VIDEO NO TUBE)

PINK FAIRIES -  GLASTONBURY FESTIVAL 71