GINGER BAKER – AT HIS BEST (1972)

Dezembro 27, 2007

    Nesse instante, resgatando os bons sons numa coletânea do baterista Ginger Baker intitulada At is Best e lançada pela Polydor em 1972. Não sou muito chegado em compilações, mas esta faz parte de uma série de discos duplos muito bons que incluía também seus parceiros dos tempos do Cream: Mrs. Eric Clapton e Jack Bruce. Aqui o batera inglês mostra seu talento e sua versatilidade em duas fases brilhantes da carreira. Músicas da época do Blind Faith se misturam às do combo Ginger Baker’s Air Force e aí meu camarada, se prepara: só maravilhas da natureza musical. 

    “Let Me Ride”, “Sweet Wine” e “I Dont Wan’t To Go On Without You” mostram o vigor e a consistência rítmica do GB Air Force, uma big band experimental que incluía colaboradores do porte dos multi-instrumentistas Graham Bond e Steve Winwood, do guitarrista Denny Lane e do baixista Rick Grech, entre outros. Faixas como “Da Da Man” e “Aiko Biaye” são pontuadas por influências afro, o que culminaria na parceria com o lendário músico nigeriano Fela Kuti e o seu África 70. Aliás, o disco Live! da dupla lançado em 1971 é uma belezinha só, assim como o DVD Ginger Baker In África que mostra as investidas do batera em solo africano. 

    Do Blind Faith, a coletânea traz 4 das 6 faixas que saíram no único disco homônimo da banda de 1969: “Had To Cry Today”, “Can’t Find My Way Home”, “Well All Right” e “Do What You Like” – esta última com seus exatos 15 minutos e 21 segundos de música preservados, ocupando o lado B inteiro do LP, sem qualquer retalhação. Resumindo: só sonzeira! O que aliás, não é nenhuma novidade, já que competência, técnica e criatividade são qualidades que não faltam ao quarteto formado por Baker, Eric Clapton, Steve Winwood e Rick Grech. Nessa receita mezza Cream, mezza Traffic, a substância sonora é o alimento perfeito para digerir os bons sons.

Faixas: 01. Let Me Ride – Ginger Baker’s Air Force / 02. Had to Cry Today – Blind Faith / 03. I Don’t Want To Go On Without You – Ginger Baker’s Air Force / 04. Do What You Like – Blind Faith / 05. Da Da Man – Ginger Baker’s Air Force / 06. Sweet Wine – Ginger Baker’s Air Force / 07. Well All Right – Blind Faith / 08. Can’t Find My Way Home – Blind Faith / 09. Aiko Biaye – Ginger Baker’s Air Force

GINGER BAKER’S AIR FORCE – EARLY IN THE MORNING

 

GINGER BAKER’S AIR FORCE – SUNSHINE OF YOUR LOVE

GINGER BAKER’S AIR FORCE – TOADY

GINGER BAKER’S AIR FORCE – MAN OF CONSTANT SORROW

BLIND FAITH - HAD TO CRY TODAY

 

BLIND FAITH – CAN’T FIND MY WAY HOME

 

BLIND FAITH – WELL ALL RIGHT

 

BLIND FAITH – PRESENCE OF THE LORD

 

BLIND FAITH – DO WHAT YOU LIKE

GINGER BAKER & FELA KUTI – LET’S START 

GINGER BAKER & FELA KUTI – YE YE DE SMELL


FABIO GÓES – SOL NO ESCURO (2007)

Dezembro 5, 2007

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    De uma nova safra de jovens músicos que aliam a sonoridade e a sofisticação da MPB ao experimentalismo e a modernidade da música eletrônica, Fabio Góes desponta no horizonte como uma das gratas revelações na música brasileira em 2007, se é que pode ser assim considerado…

    Veterano na cena independente paulistana, foi integrante da banda de rock Paumandado (com único disco homônimo lançado em 2003) e na última década atuou como produtor musical em trilhas cinematográficas como “Cidade de Deus” (2001) de Walter Salles e “Abril Despedaçado” (2002) de Fernando Meirelles e Kátia Lund, entre outras. Cantor, multiinstrumentista e compositor, passou os últimos cinco anos maquinando sua estréia solo, lapidando letras e desenvolvendo arranjos, num trabalho detalhado, intimista e que veio amadurecendo desde 2001… O resultado é o melhor disco de MPB que escutei este ano.

    Sol no Escuro é de uma inspiração poética e melódica de assombrar. Faixas repletas de climatizações e ricas camadas sonoras, cadenciadas por diálogos entre piano e violão, encorporados por instrumentos como viola, violinos, violoncelo, bateria, guitarra, baixo, metais e percussão. Um caldo sonoro onde a MPB, o rock e a psicodelia estão presentes, bem como o jazz, o folk e o soul. Levadas pra lá de introspectivas e melancólicas; arranjos delicados, embalados pela voz  tranqüila de Góes que nos remete ao pessoal do Clube da Esquina ou a uma sonoridade que lembra o Guilherme Arantes dos anos 70.

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    Letras que descrevem uma angústia latente como na faixa-título (“Eu ouso apagar o sol / colocá-lo num escuro tão profundo / que até o colorido mais raro / se despede de mim como um raio / e eu querendo azul”) ou em “Automático” (“Se nesse mundo, nessa sala, nessa rua, nessa casa / alguém precisa de mim / eu sempre acho que não”). Trupes reflexivas como na balada soturna “Sem Mentira” (“Eu já fingi ser muito melhor / eu já aprendi ser pior / mas sem mentira”) ou na funkeada “Mundo Acumulado” (“Tendo tudo planejado / dando tudo meio errado / bebendo o que sobra de alegria na noite / depois de outro dia / a fase ruim passa / a fase boa passa também / só sobra quem é quem / ninguém, ninguém é de ninguém”), uma das minhas preferidas!

    “Estatística” é malemolência pura, com arranjos de cordas irradiantes e belo solo de sax numa pegada eletrônica vigorosa. Tem participação da cantora paulista Céu - legítima representante dessa leva de novos nomes da MPB – que nos brinda com sua doce voz no jazzinho “Sun of your eyes”. Acordes em tom menor prosseguem com a balada de violão “Mel” onde o clima acústico predomina. Belas composições não faltam como na metáfora do dia a dia sugerida na bela “Surfista” (“nasci pra ser surfista / do que eu quiser / do que eu puder / do que eu tiver porque”)  ou na intimista “Lembranças” (“agora eu vou me esquecer mais / agora eu vou me confundir mais / agora eu vou me cuidar mais / quem sabe o tal dia ainda vem”) que chega a emocionar.

    O climão melancólico só desaparece na última faixa com a bem humorada “Salmão” (“meu salmãozão / gosto de carne crua, só quando a carne é sua / meu sashimi, sashimizão”). Pronto, faltava quebrar o gelo, abrir a janela e respirar o ar puro de um novo dia… Deixa eu me espreguiçar que, como diz a letra de “Sereno” (“Chora e a noite abrirá um escuro imenso / pro sol entrar e nascer / pro dia chegar e atravessar ileso até o luar / o choro da noite é só sereno”), vai começar tudo de novo…

Faixas: 01. Sol no Escuro / 02. Sem Mentira / 03. Automático / 04. Mundo Acumulado / 05. Estatística / 06. Sereno / 07. Sun of Your Eyes / 08. Mel / 09. Surfista / 10. Lembranças / 11. Salmão

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FABIO GÓES – SEM MENTIRA

 

 

 

FABIO GÓES – MUNDO ACUMULADO

 

 

FABIO GÓES – MUNDO ACUMULADO

 

 

FABIO GÓES – SERENO

 

 

FABIO GÓES – SUN OF YOUR EYES

 

 

FABIO GÓES – SESC 2007 (PROMO)