PHISH – STASH (1996)

Maio 27, 2008

 

    Sou um bolha das antigas, não nego. A maior prova disso é que grande parte da minha coleção de lps e cds, abrange artistas e agremiações dos anos 60 e 70. Mas nem por isso costumo desprezar as boas “novidades” musicais. Pegando essa trilha de bandas “novas”, tem uma que eu adoro e, infelizmente, encerrou suas atividades em 2004: falo do pessoal do Phish. Com referenciais e influências de Frank Zappa, Grateful Dead, Allman Brothers e Sun Ra, este quarteto americano - formado em 1983 na Universidade de Vermont, em Burlington – seguiu a trincheira das jam bands, onde ao vivo, o improviso e as longas passagens instrumentais eram algumas de suas características.   

    Liderado pelo vocalista e guitarrista Trey Anastasio, o grupo iniciou suas atividades a partir da associação entre Jon Fishman (bateria e vocais), Mike Gordon (baixo e vocais) e Jeff Holdsworth (guitarras e vocais). Em 1986, com a saída de Holdsworth e a entrada de Page McConnell (teclados e vocais), o Phish solidificou o seu line-up definitivo. Para alcançar a glória, bastou então combinar algumas ações: quantidade intensa de shows, distribuição e venda de fitas demo para público e rádios e, mais adiante, extensa divulgação do trabalho da banda pela internet. Pronto: a popularidade do Phish se manifestou e, em pouco tempo, o grupo arrastava uma admirável legião de fãs, tornando-se precocemente um dos ícones do rock alternativo americano.

 

    Originalidade, criatividade e técnica eram elementos que não faltavam ao quatro rapazes. Em cada disco do Phish podemos encontrar músicas dispersas em estilos diversos: rock, jazz, fusion, country, folk, southern, bluegrass, psicodelia, progressivo, pop, funk… um ensopadão sonoro dos bons. Álbuns como o duplo de estréia Junta (88), Lawn Boy (90), A Picture Of Nectar (92), Rift (93) e Hoist (94) são didáticos e indicados para entrar na onda dos caras. Outra boa pedida é a coletânea Stash, de 1996 (só lançada na Europa), que cobre o período 88-95 e inclui alguns clássicos da turma como “Don’t with Disease”, “You Enjoy Myself”, “Maze”, “Split Open and Melt”, “Stash” e “Gumbo”.

 

 

 

 

    Prolíferos, em 21 anos de estrada, gravaram mais de 50 discos - metade deles de material ao vivo. Só entre 2001 e 2003, lançaram pelo menos 20 álbuns desses shows, alguns com 3, 4, 6 cds, contendo músicas próprias e também uma infinidade de covers de artistas diversos. O material ao vivo é bom, mas é mais indicado para os fãs de carteirinha. Um que dá para recomendar de bate-pronto é o duplo A Live One, de 1995, que vem em edição caprichada contendo um livreto com várias fotos do show. O recheio sonoro também merece destaque: clássicos da banda embalados em jam sessions quilométricas, como mostra os 30 minutos da chapada “Tweezer”. Vai raiar o dia…

 

    Em 1995, com a morte do lendário Jerry Garcia (líder do Grateful Dead), a banda de Trey Anastasio e cia acabou sendo adotada pelos deadheads (os fanáticos seguidores do Grateful Dead) que, devido às semelhanças artística e musical de ambas, passaram a adorá-los também. Com a audiência garantida, a química entre os músicos e o público se consolidava cada vez mais. Resultado: shows lotados e banda interagindo com a platéia através de recursos multimídia e cênicos (inclua aí trampolins, aspiradores de pó e hot dogs nas apresentações). Mas o barato era acompanhar as tradicionais e absurdas improvisações e extensões musicais da trupe. O mais incrível é que mesmo sem nenhuma música de sucesso nas paradas ou clip de sucesso na tv, o Phish se tornou um objeto de culto não só por parte do público, como também da crítica especializada. Tanto que foi aclamada pela revista “Rolling Stone” como a banda mais importante dos anos 90.

 

    No início deste século, começaram a surgir notícias dando conta que a banda estaria com seus dias contados. E para desespero dos fãs, o fato se consumou  em 2004, após o lançamento de Undermind, último álbum de inéditas do quarteto. Trey Anastasio alegou na época que “é melhor dar fim ao Pish enquanto a banda ainda faz sucesso e é respeitada pelo público, ao invés de se tornar nostálgica”. O derradeiro show da banda foi realizado em Nova Iorque, na noite de 17 de junho de 2004 e está registrado no cd tripo e no dvd duplo que levam o mesmo nome: Live in Brooklyn. O pacote foi lançado em 2006 e os dvds mostram, além da performance matadora de despedida, imagens de bastidores, passagem de som e outras gulodices. Tudo filmado por oito câmeras estrategicamente posicionadas.

 

    Recentemente ouvi rumores de que eles possam estar voltando à ativa ainda este ano. Há quem diga que a parada é estratégica, apenas um pit stop para recarregar as baterias. Se é verdade ou não, o jeito é esperar pra ver… Ainda falando em “bandas novas”, mais ou menos nessa linha do Phish, recomendo também os grupos Moe e o Widespread Panic. Buenas, a dica está dada. Até!

DOWNLOAD: http://www.badongo.com/en/file/7418450

PHISH – YOU ENJOY MYSELF

PHISH – DAVID BOWIE

PHISH – SPLIT OPEN AND MELT

PHISH – BATHTUB GIN

 

PHISH – CHALK DUST TORTURE

  

PHISH – CAVERN

PHISH – GHELAH PAPYRUS

PHISH – TWEEZER REPRISE

PHISH – SAMPLE IN A JAR

 

PHISH – DOWN WITH DISEASE

 

PHISH – BOUCING AROUND THE ROOM

 

PHISH – STASH

 

PHISH – GUMBO

PHISH – DINNER AND A MOVIE

TREY ANASTASIO – THE LANDLADY

PHISH – PEACHES EN REGALIA

NEIL YOUNG & PISH – DOWN BY THE RIVER JAM


HANNIBAL – HANNIBAL (1970)

Maio 25, 2008

    Orginalmente chamado de Bakerloo Blues Line, este grupo inglês surgido em Birmingham é mais uma dessas obscuridades musicais que só contribuem para que o garimpo ao passado seja fonte interminável para descoberta dos bons sons… santa naftalina!

    Com único registro homônimo de 1970, o Hannibal era formado por Alex Boyce (vocal), Jack Griffiths (baixo), Bill Hunt (Hammond e french horn), Adrian Ingram (guitarra), John Parkes (bateria) e Cliff Williams (saxofone e clarinete) e chegou a excursionar ao lado de bandas clássicas como Black Sabbath e Free.

    Combo musical de difícil classificação, está mais para a corrente jazz-rock, mas tem levadas folk e progressivas, além de partículas diminutas do hard rock. Uma equação com arranjos criativos e quebradeira total nos andamentos, lembrando em algumas passagens outras bandas empoeiradas como Raw Material, Black Widow, Atomic Rooster ou Van Der Graaf Generator.

    São 6 músicas e gosto de todas. Seção rítmica impecável, oportunos fraseados de guitarra de Adrian Ingran, tecladeira e metais afiados… Os destaques são as faixas “Look Upon Me”, “Winter” e a instrumental “Bend for a Friend”, que já valem qualquer investimento. Tenho o cd, no entanto, a procura pelo vinil tem sido intensa ao longo dos anos. Quem sabe um dia coloco as mãos nessa bolachinha… Raridade!

DOWNLOAD: http://rapidshare.com/files/57178881/Hannibal__Midnightsun_.zip.html 

Faixas: 01. Look Upon Me / 02. Winds of Change / 03. Bend for a Friend / 05. 1066 / 06. Wet Legs / 06. Winter .

 

HANNIBAL – LOOK UPON ME 

 

 

 

HANNIBAL – WINDS OF CHANGE

 

 

 

HANNIBAL – BEND FOR A FRIEND 

 

 

 

HANNIBAL – 1066

 

 

 

 

HANNIBAL – WET LEGS 

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 HANNIBAL – WINTER  

 


AL KOOPER – YOU NEVER KNOW WHO YOUR FRIENDS ARE (1969)

Maio 1, 2008

   

    Um lp que tenho escutado direto é o segundo solo de Al Kooper lançado em 1969, chamado You Never Know Who Your Friends Are (Nunca se sabe quem são os seus amigos), cuja capa ilustra o título do disco de forma mordaz: um pelotão de policiais da tropa de choque descendo o porrete em uma multidão de manifestantes … castiga! Detalhe: a foto da capa é em preto e branco e o nome do músico e o título vêm grafados como se tivessem sido escritos com sangue. Que poético!

   

    Apesar de mostrar na capa uma situação corriqueira naqueles idos de 69, o disco não é necessariamente um registro de protesto, mas principalmente de composições que falam sobre um tema recorrente: o amor. Um discaço produzido por Kooper que a esta altura, estava em estado de luz, estado de graça. Com arranjos seus e de Charlie Calello, traz uma combinação matadora de música pop, soul, rock, r&b e um bocadim de jazz dissolvidos em algumas das mais belas canções feitas pelo músico americano.

   

    Valendo-se de sua voz impecável e sua destreza no piano e na guitarra, Kooper pilota uma verdadeira big band a serviço da boa música. Sob direção de Charlie Calello, a Al Kooper Big Band apresenta um esquadrão de músicos se revezando nas guitarras (Ralph Casale, Stu Scharff ou Eric Galé), nos teclados (Ernie Hayes, Paul Griffin ou Frank Owens), nas linhas de baixo (Chuck Rainey, Jerry Jemmott ou John Miller) e nas baquetas (Pretty Purdie ou Al Rodgers). Mas não é só: uma seção de metais com mais de 10 músicos tocando trompetes, trombones e saxofones, além da participação de várias vozes nos corais.

 

   

    Muita energia e vibração nas faixas “Magic in My Socks” e “Loretta”, com metaleira virtuosa encorpando os arranjos e Kooper mostrando suas artimanhas na guitarra. “Lucille” surpreende com arranjos vocais e instrumentações irrepreensíveis, culminando em mais uma jóia rara para a coleção de Kooper. Tem a instrumental “Blues – Part IV” que é uma maravilha, principalmente pela condução de órgão e teclados de Kooper, criando um climão melancólico dos diabos.

   

    Algumas faixas como “Anna Lee” (com arranjo divinamente orquestrado e vocais e corais a serviço das boas vibrações) e “Never Gonna Let You Down” (que injeta instrumentações de rara beleza, linha vocal belíssima e um solo de trompete de Marvin Stamm de arrepiar) chegam mesmo a emocionar. Temas imortalizados nas vozes de Marvin Gaye (“Too Busy Thinkin’ ‘bout My Babe”) e Stevie Wonder (“I Don’t Know Why I Love You”) trazem um pouco do espírito Motown que permeia o disco, em versões fulminantes que servem para calibrar a alma.

   

    Mas são músicas como as perfeitas “First Time Around” (simplesmente indescritível… daquelas canções que basta uma audição para fazer alguns dos piores dias se tornarem gloriosos) e a faixa-título (com um empolgante piano no melhor estilo Honky Tonk, num crescendo onde vocais, instrumentações e melodia se encontram em perfeita harmonia) que tornam este álbum obrigatório, tipo daqueles que têm que ter em vinil, cd e mp3.

 

    Para uma cara que foi músico de estúdio e trabalhou com monstros sagrados do rock como Bob Dylan, Jimi Hendrix, Rolling Stones e The Who; que distribuiu talentos em trabalhos com os guitarristas Mike Bloomfield e Steve Stills; que participou de bandas sensacionais como o Blues Project e Blood, Sweat & Tears; além de ter descoberto o Lynyrd Skynyrd, produzindo inclusive os 3 primeiros álbuns do lendário grupo americano de southern rock; diria enfim, que o disco You Never Know Who Your Friends Are está a altura de sua genialidade.

 

Faixas: 01. Magic in My Socks / 02. Lucille / 03. Too Busy Thinking About My Baby / 04. First Time Around / 05. Loretta / 06. Blues, Pt. 4 / 07. You Never Know Who Your Friends Are / 08. Great American Marriage / 09. Don’t Know Why I Love You / 10. Mourning Glory Story / 11. Anna Lee / 12. I’m Never Gonna Let You Down  

 
 
MARVIN GAYE – TOO BUSY THINKING ABOUT MY BABY

STEVIE WONDER – I DON’T KNOW WHY I LOVE YOU

MINI-DOCUMENTÁRIO SOBRE AL KOOPER