PHISH – STASH (1996)

 

    Sou um bolha das antigas, não nego. A maior prova disso é que grande parte da minha coleção de lps e cds, abrange artistas e agremiações dos anos 60 e 70. Mas nem por isso costumo desprezar as boas “novidades” musicais. Pegando essa trilha de bandas “novas”, tem uma que eu adoro e, infelizmente, encerrou suas atividades em 2004: falo do pessoal do Phish. Com referenciais e influências de Frank Zappa, Grateful Dead, Allman Brothers e Sun Ra, este quarteto americano – formado em 1983 na Universidade de Vermont, em Burlington – seguiu a trincheira das jam bands, onde ao vivo, o improviso e as longas passagens instrumentais eram algumas de suas características.   

    Liderado pelo vocalista e guitarrista Trey Anastasio, o grupo iniciou suas atividades a partir da associação entre Jon Fishman (bateria e vocais), Mike Gordon (baixo e vocais) e Jeff Holdsworth (guitarras e vocais). Em 1986, com a saída de Holdsworth e a entrada de Page McConnell (teclados e vocais), o Phish solidificou o seu line-up definitivo. Para alcançar a glória, bastou então combinar algumas ações: quantidade intensa de shows, distribuição e venda de fitas demo para público e rádios e, mais adiante, extensa divulgação do trabalho da banda pela internet. Pronto: a popularidade do Phish se manifestou e, em pouco tempo, o grupo arrastava uma admirável legião de fãs, tornando-se precocemente um dos ícones do rock alternativo americano.

 

    Originalidade, criatividade e técnica eram elementos que não faltavam ao quatro rapazes. Em cada disco do Phish podemos encontrar músicas dispersas em estilos diversos: rock, jazz, fusion, country, folk, southern, bluegrass, psicodelia, progressivo, pop, funk… um ensopadão sonoro dos bons. Álbuns como o duplo de estréia Junta (88), Lawn Boy (90), A Picture Of Nectar (92), Rift (93) e Hoist (94) são didáticos e indicados para entrar na onda dos caras. Outra boa pedida é a coletânea Stash, de 1996 (só lançada na Europa), que cobre o período 88-95 e inclui alguns clássicos da turma como “Don’t with Disease”, “You Enjoy Myself”, “Maze”, “Split Open and Melt”, “Stash” e “Gumbo”.

 

 Jon Fishman, Trey Anastasio, Page McConnell e Mike Gordon

 

    Prolíferos, em 21 anos de estrada, gravaram mais de 50 discos – metade deles de material ao vivo. Só entre 2001 e 2003, lançaram pelo menos 20 álbuns desses shows, alguns com 3, 4, 6 cds, contendo músicas próprias e também uma infinidade de covers de artistas diversos. O material ao vivo é bom, mas é mais indicado para os fãs de carteirinha. Um que dá para recomendar de bate-pronto é o duplo A Live One, de 1995, que vem em edição caprichada contendo um livreto com várias fotos do show. O recheio sonoro também merece destaque: clássicos da banda embalados em jam sessions quilométricas, como mostra os 30 minutos da chapada “Tweezer”. Vai raiar o dia…

 

    Em 1995, com a morte do lendário Jerry Garcia (líder do Grateful Dead), a banda de Trey Anastasio e cia acabou sendo adotada pelos deadheads (os fanáticos seguidores do Grateful Dead) que, devido às semelhanças artística e musical de ambas, passaram a adorá-los também. Com a audiência garantida, a química entre os músicos e o público se consolidava cada vez mais. Resultado: shows lotados e banda interagindo com a platéia através de recursos multimídia e cênicos (inclua aí trampolins, aspiradores de pó e hot dogs nas apresentações). Mas o barato era acompanhar as tradicionais e absurdas improvisações e extensões musicais da trupe. O mais incrível é que mesmo sem nenhuma música de sucesso nas paradas ou clip de sucesso na tv, o Phish se tornou um objeto de culto não só por parte do público, como também da crítica especializada. Tanto que foi aclamada pela revista “Rolling Stone” como a banda mais importante dos anos 90.

 

    No início deste século, começaram a surgir notícias dando conta que a banda estaria com seus dias contados. E para desespero dos fãs, o fato se consumou  em 2004, após o lançamento de Undermind, último álbum de inéditas do quarteto. Trey Anastasio alegou na época que “é melhor dar fim ao Pish enquanto a banda ainda faz sucesso e é respeitada pelo público, ao invés de se tornar nostálgica”. O derradeiro show da banda foi realizado em Nova Iorque, na noite de 17 de junho de 2004 e está registrado no cd tripo e no dvd duplo que levam o mesmo nome: Live in Brooklyn. O pacote foi lançado em 2006 e os dvds mostram, além da performance matadora de despedida, imagens de bastidores, passagem de som e outras gulodices. Tudo filmado por oito câmeras estrategicamente posicionadas.

 

    Recentemente ouvi rumores de que eles possam estar voltando à ativa ainda este ano. Há quem diga que a parada é estratégica, apenas um pit stop para recarregar as baterias. Se é verdade ou não, o jeito é esperar pra ver… Ainda falando em “bandas novas”, mais ou menos nessa linha do Phish, recomendo também os grupos Moe e o Widespread Panic. Buenas, a dica está dada. Até!

 

PHISH – YOU ENJOY MYSELF

PHISH – YOU ENJOY MYSELF

PHISH – DAVID BOWIE

PHISH – SPLIT OPEN AND MELT

PHISH – BATHTUB GIN

PHISH – CHALK DUST TORTURE

PHISH – CAVERN

PHISH – GHELAH PAPYRUS

PHISH – TWEEZER REPRISE

PHISH – SAMPLE IN A JAR

PHISH – DOWN WITH DISEASE

PHISH – BOUCING AROUND THE ROOM

PHISH – STASH

PHISH – GUMBO

PHISH – DINNER AND A MOVIE

TREY ANASTASIO – THE LANDLADY

PHISH – PEACHES EN REGALIA

NEIL YOUNG & PISH – DOWN BY THE RIVER JAM

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