ELECTRIC SANDWICH – ELECTRIC SANDWICH (1973)

Julho 31, 2008

    Krautrock com fortes influências jazzísticas! Esta é a definição perfeita para descrever a música praticada pelo Electric Sandwich, uma obscura banda alemã formada em 1969 na cidade de Bonn. Mesclando estilos e abusando de experimentações sonoras, lançaram um único e raro álbum no início de 1973 cuja edição original é hoje disputada a tapa pelos colecionadores do bom e velho vinil.

    Seu line-up era composto por quatro jovens estudantes que já vinham alimentando suas habilidades musicais em outras agremiações locais: Jochen “Archie” Carthaus (vocal, saxofone e harmônica) tocava no Flashbacks; Klaus Lormann (baixo) prestava serviços no Chaotic Trust; Jörg Ohlert (guitarra, órgão e melotron) vinha do Slaves of Fire; e Wolfgang “Wolf” Fabian (bateria), o criador do grupo, já havia saído em turnê com o Muli and the Misfits.

    Já agrupados e munidos de composições próprias, participaram de um festival promovido pela revista alemã Hor Zu, em Hannover, onde impressionaram o júri com a vitalidade de suas performances. O segundo lugar no concurso atraiu a atenção dos executivos da gravadora alemã Metrome, que chamaram os rapazes para fazer um teste de gravação em seu estúdio. Aprovados com louvor, assinaram com o lendário selo alemão Brain e o resultado está registrado neste disco homônimo espetacular.

 O Electric Sandwich em 1973: fuzzy psychedelic guitar

    Simplesmente um sanduba recheado com generosas e suculentas fatias sonoras, temperadas com passagens substanciais de guitarra, saxofone e melotron que se encaixam deliciosamente em arranjos bastante criativos. A cozinha também mostra sustância com a dupla Lormann e Fabian, e o vocalista Jochen Carthaus marca presença com o seu timbre de voz rouco e rascante.

    Uma receita exótica cujos ingredientes incluem elementos do jazz rock (“China” e “Material Darkness”), partículas de hard rock (“Nervous Creek” e “I Want You”), extrato concentrado de blues (“Archie’s Blues”) e psicodelia a granel (“Devil Dreams” e “It’s No Use To Run”). Para adeptos de bandas como Can, Amon Düül, Nektar, Guru Guru ou Van Der Graaf Generator, Electric Sandwich é um prato cheio. A lamentar, apenas a indigestão causada aos fãs com a dissolução do grupo, meses após a gravação deste elepê.

    Em 1997, esta pérola perdida foi relançada em formato digital pelo excelente selo alemão Repertoire Records com duas faixas bônus deliciosas. Uma iguaria para ser degustada com muito cuidado, já que as intrincadas maquinações harmônicas podem causar um curto-circuito na mente e nos ouvidos dos incautos.

Faixas: 01. China / 02. Devil’s Dream / 03. Nervous Creek / 04. It’s No Use to Run / 05. I Want You / 06. Archie’s Blues / 07. Material Darkness / 08. On My Mind

Download: http://sharebee.com/4ff51d11

ELECTRIC SANDWICH – CHINA

ELECTRIC SANDWICH – DEVIL’S DREAM

ELECTRIC SANDWICH – NERVOUS CREEK

ELECTRIC SANDWICH – IT’S NO USE TO RUN

ELECTRIC SANDWICH – I WANT YOU

ELECTRIC SANDWICH – ARCHIE’S BLUES

ELECTRIC SANDWICH – MATERIAL DARKNESS

ELECTRIC SANDWICH – ON MY MIND


GERARDO MANUEL & HUMO – APOCALLYPSIS (1970)

Julho 29, 2008

 

    Escutando duas raridades do combo Gerardo Manuel & Humo. Trupe peruana formada no início dos anos 70, sua música era uma mistura de hard rock e psicodelia, com fortes influências de Jimi Hendrix Experience e Grand Funk Railroad, perceptíveis principalmente em seu disco de estréia.

 

    O agrupamento era capitaneado por ninguém menos que Gerardo Rojas, ícone local e considerado o grande responsável pela evolução do rock em seu país. Esse ideal, aliás, começou a tomar forma ainda nos anos 60, quando o cantor e compositor peruano mostrou o caminho das pedras à frente de bandas pioneiras no estilo como Los Doltons e Los Shains. Quando em 1970 foi contratado para atuar como executivo da gravadora “El Virrey”, mudou seu nome artístico para Jorge Gerardo Manuel e fundou o Humo, gravando 3 discos altamente recomendados.

 

    A estréia veio no mesmo ano com o lançamento do lp Apocallypsis, considerado o primeiro registro de hard rock em terras peruanas. Para esta tarefa, foram chamados outros 3 músicos conhecidos da cena local: Jorge “Coco” Pomar (baixo e guitarra acústica), Freddy “Puro” Fuentes (bateria e percussão) e Enrique “Pico” Ego Aguirre (guitarras e órgão), ex-membro e companheiro de Gerardo no Los Shains e que aqui, assina com o  pseudônimo de Enrique Mario. Um quarteto libertário e transformador que respirava a atmosfera da contracultura, pregando o ideário “peace and love”.

 

 

    O álbum é um arraso e já começa surpreendendo com a profética “Apocallypsis (Beginning & End)”, nada mais que um presságio do fim dos tempos, embalado por riffs e timbres apoteóticos. “Looking For Tomorrow” expõe riffs de guitarra e linhas de baixo que lembram o bom e velho Black Sabbath. “Where Did You Go? é um hard com solos ácidos e belos fraseados de guitarra, com a seção rítmica funcionando a todo vapor.

 

    O disco traz não só composições próprias como covers matadoras de Grand Funk (“Are You Ready”) e Jimi Hendrix (“Power To Soul”), mantendo o peso e o suingue das versões originais. Em “Rock & Roll Soul” a banda presta tributo a Elvis Presley, acelerando um rock’n’roll de 1000 cilindradas. Outra homenagem escancarada está na faixa “I Can Do It, If You Do It”, que pega carona nas baladas stonianas, com Gerardo Manuel emitindo um timbre vocal que lembra o de Mick Jagger. Demais!

 

    Em algumas faixas, o órgão Hammond (tocado por Enrique Aguirre) passeia com maestria pelos arranjos, aumentando a carga lisérgica das canções como mostra a bela “96 tears”. Outros destaques são as faixas “Lonely Night” (com guitarras e teclados hipnóticos e solo de batera de Fuentes)  e “(I Will Bring You) Flowers In The Morning” (que inclui um arranjo de cordas pra acabar o mundo).

 

    Em 2005, Apocallypsis foi editado em formato digital (com 4 faixas bônus e encarte com fotos e letras) em meio às comemorações de seu 35º aniversario de lançamento. Obscuridade pra ser escutada no dia do Juízo Final!  

 

Faixas: 01. Apocallypsis (Beginning & End) / 02. Are You Ready? / 03. Looking for Tomorrow / 04. Lonely Night / 05. Power of Soul / 06. ( I Will Bring You ) Flowers In The Morning / 07. Where Did You Go? / 08. Rock & Roll Soul / 09. I Can Do It, If You Do It / 10. 96 Tears / Bônus: 11. Gotas de lluvia siguen cayendo sobre mi cabeza / 12. Where Did You Go? (version 45rpm) / 13. Looky Looky / 14. Anoche No Dormi  

 

Download: 

 

parte 1: http://www.zshare.net/download/2798569ab1dd4c/

 

parte 2: http://www.zshare.net/download/2798571f9b6ef6/

GERARDO MANUEL & HUMO – POWER OF SOUL

GERARDO MANUEL & HUMO – WHERE DID YOU GO?

GERARDO MANUEL & HUMO – (I WILL BRING YOU) FLOWERS IN THE MORNING


GERARDO MANUEL & HUMO – MACHU PICCHU 2000 (1971)

Julho 29, 2008

 

    Outra pérola lançada pelo grupo é este Machu Picchu 2000, de 1971, que chega a ser tão surpreendente e admirável quanto o antecessor. Flertando com elementos da psicodelia e do blues, a banda constrói um clima predominantemente acústico, com belas canções de aura hippie e espírito cigano. Apenas composições próprias e letras que instigam a uma utópica paz no planeta. Um trabalho mais maduro, onde o grupo desenvolve uma sonoridade com menos peso, mas com arranjos mais originais e criativos.

 

    Músicos se revezando nos instrumentos e conduzindo uma seção rítmica com tempero andino. Além dos remanescentes Gerardo Manuel e Jorge Pomar, outras feras participam da gravação: Ernesto Samame (guitarras e teclados), Juan Carlos Barreda (baixo), “Oso” Torres (baixo), “Chacal” Allison (bateria), Rafa “Pocho” Purizaga (piano, vibrafone, guitarra acústica e baixo), Joey Vargas (piano e flauta), Alberto “Al” Lozano (percussão), Ronald Ferreccio (saxofone), Calixto (trombone) e Ehitel Silva (trompete).

 

    Em faixas como “Machu Picchu Blues” (com canja do guitarrista e compositor peruano Zellon Richie, ex-membro do El Ayllu) e “Mundos extraños”, são agregados instrumentos como flauta, sax e trompete, encorpando delicadamente os arranjos das canções. A bela “Hey españoles, no escuchan el lamento de los Incas?” é uma das prediletas e traz letra revolucionária, acompanhada de um trabalho instrumental brilhante.

 

  

    Em meio a sutilezas como “Hacia donde van?” e “Perdidos”, a banda pega pesado apenas na derradeira faixa “Diciembre 31 – 1999”, onde um rock vigoroso e sobrecarregado de guitarras fuzz é interrompido com a explosão de uma bomba atômica. É o cataclisma sonoro nuclear anunciando o fim… de um belo disco. Muy Bueno!

 

    Existe ainda um terceiro e último lp da trupe intitulado Quién es el Mayor?, mantendo a vibe psicodélica, mas com influências mais próximas do rock progressivo. Este disco ainda não achei nos sebos, mas a busca continuará…. Nunca é tarde para lembrar que os lps originais custam o preço da alma. Se você achar os relançamentos em vinil por menos de 250 reais, considere-se um cara de sorte.

 

    Hoje em dia, Gerardo Manuel é reconhecido em seu país não só pelo seu pioneirismo no rock local como também por ter sido o apresentador do cultuado Disco Club, um programa televisivo que durante 25 anos trouxe as novidades do rock nacional e internacional aos ouvintes peruanos. Em 2004, para celebrar seus 40 anos de vida artística, se reuniu com os membros originais do Los Shains e juntos, realizaram alguns shows após um recesso de 35 anos. Atualmente, Gerardo pode ser visto realizando concertos com o Humo e, ocasionalmente, com os Los Shains. Os peruanos agradecem… 

 

    Combos como Gerardo Manuel & Humo e o excelente Pax (banda formada por Enrique Aguirre logo após a sua saída do Humo. O disco Dark Rose é outra maravilha do hard rock local e conta com a participação de Gerardo em uma das faixas) foram os bons indícios que me fizeram garimpar o desconhecido universo do rock peruano dos anos 60 e 70. A partir daí, descobri outras agremiações como Los Belking’s, Tarkus, Telegraph Avenue, El Ópio, Smog e Traffic Sound. Salve, salve a santa obscuridade musical.   

Faixas: 01. Machu Picchu Blues / 02. Perdidos / 03. Hey españoles, no escuchan el lamento de los Incas? / 04. La leyenda del lago / 05. Punto y aparte / 06. Madre tierra / 07. Mundos extraños / 08. Hacia donde van? / 09. Diciembre 31 -1999  

DOWNLOAD: http://www.zshare.net/download/69437374ad40a3/


VASHTI BUNYAN – JUST ANOTHER DIAMOND DAY (1970)

Julho 26, 2008

  

    Uma das minhas mais recentes descobertas musicais atende pelo nome de Vashti Bunyan, uma cantora e compositora britânica de voz melancólica e paralisante, que propaga uma espécie de “folk glacial” (sic), capaz de gelar a espinha do capeta.  

 

    Devo essa ao João Pacheco, um inveterado colecionador de lps que aos sábados comercializa algumas dessas raridades na Praça Benedito Calixto, em São Paulo. Foi lá que adquiri o álbum de estréia da diva folk, o obscuro Just Another Diamond Day, numa reedição americana em vinil com pouquíssimas cópias, só para entusiastas do bom e velho bolachão. O disco original, aliás, foi lançado em 1970 pela gravadora Philips e vale hoje uma pequena fortuna: algo em torno de 2 mil dólares.

  

    Com relação à gravação, não tem muito o que falar: é de uma beleza ímpar. Conta com as maquinações de Joey Boyd, cultuado produtor americano que desenvolveu trabalhos importantes com alguns baluartes da cena folk da época como Nick Drake, Fairport Convention e The Incredible String Band. Um psych-folk do além, trazendo pitadas pop e clima intimista, com direito a guitarras folk, banjo, pianinho suave, instrumentos de sopro e cordas, e claro, a voz pura e cativante de Bunyan.  

 

    Tem participações de membros do Fairport Convention (David Swarbrick e Simon Nicol) e da The Incredible String Band (Robin Williamson), além de arranjos de Robert Kirby (que também trabalhou com Nick Drake). Percebe-se que a garota não estava mal acompanhada nessa empreitada…

 

  

    Apesar da perfeição dos arranjos, das belas melodias e de todo o gabarito dos envolvidos no projeto, o disco foi um estrondoso fracasso de vendas, sendo malhado impiedosamente pela imprensa musical da época que descreveu as canções de Bunyan como infantis e atacou sua voz, dizendo ser fraca e impotente. Decepcionada, a cantora se retirou de cena e simplesmente sumiu do mapa. Passaria os próximos 30 anos sem dar as caras, se dedicando única e exclusivamente à família. Com a reedição digital de Just Another Diamond Day em 2000, foi aos poucos sendo redescoberta pelo pessoal da nova cena folk e a pedidos, gravou em 2005 seu segundo disco, o festejado Lookaftering. Era o fim de seu exílio artístico.

 

    No ano passado foi lançada uma compilação dupla de raridades chamada Some Things Just Stick In Your Mind, com singles e demos gravados entre 1964 e 1967, alguns dos quais só encontrados recentemente pelo irmão de Bunyan no sótão de sua casa. A faixa-título, aliás, é uma canção composta por Mick Jagger e Keith Richards e que na época foi lançada por ela, mas o single passou desapercebido, sem nunca ter atingido o sucesso esperado.

 

    Finalmente com o talento reconhecido, Bunyan chega aos 63 anos de idade com o carisma nas alturas. Tanto é verdade que vem sendo incensada pela crítica especializada e por músicos contemporâneos, tendo participado, inclusive, de discos e shows de artistas como Devendra Banhart, Stephen Malkmus (ex-Pavement) e Animal Collective. As últimas informações dão conta que ela está preparando um álbum de inéditas, ainda sem data prevista de lançamento.

 

    Buenas, a dica está dada. Quem curte o estilo folk, tem a obrigação de correr atrás de Just Another Diamond Day antes que passe desta para melhor. Se bem que no céu, os anjos devem escutar essa maravilha direto…

 

DOWNLOAD: http://sharebee.com/efcfea7c

VASHTI BUNYAN – DIAMOND DAY

VASHTI BUNYAN – GLOW WORMS

VASHTI BUNYAN – TIMOTHY GRUB

VASHTI BUNYAN – WHERE I LIKE TO STAND

VASHTI BUNYAN – ROSE HIP NOVEMBER

VASHTI BUNYAN – COME WIND COME RAIN

VASHTI BUNYAN - I’D LIKE TO WALK AROUND IN YOUR MIND

VASHTI BUNYAN - WINTER IS BLUE

VASHTI BUNYAN - SOME THINGS JUST STICK IN YOUR MIND