SOM IMAGINÁRIO – SOM IMAGINÁRIO (1971)

 

    O segundo e auto-intitulado trabalho do grupo foi lançado em 1971 e também é conhecido pelo título A Nova Estrela. Aqui a trupe já não contava com a participação do irreverente Zé Rodrix que saiu para formar o trio Sá, Rodrix & Guarabyra, definindo aquilo que viria a ser chamado de rock rural.

 

    Ainda sob a discreta liderança de Wagner Tiso, quem ganha espaço para desenvolver suas idéias anárquicas é Frederyko, que compõe vários temas, canta na maioria das músicas e faz, mais uma vez, um ótimo trabalho nos solos de guitarra. Além de Fredera e Wagner Tiso, completavam a formação os músicos Tavito (violão e guitarra), Luiz Alves (baixo) e Robertinho Silva (bateria).

 

    Mantendo as diretrizes sonoras do álbum anterior, o grupo passeia por estilos que vão do rock psicodélico ao progressivo, flertando com a MPB, o folk e a música latina. O resultado é uma nova leva de belas vocalizações e melodias bem agradáveis, com destaque para as bem-humoradas “Cenouras”, “Gogó” e “Salvação pela Macrobiótica”.  

 

    A canção “Ascenso” é outra jóia rara, com letra e arranjos brilhantes, cantada com muito sentimento por Frederyko. “Uê” também manda muito bem: “Dê meu anel, meu colar / Meus parentes vão chegar / Amanhã de manhã / Vão saber que as flores são de papel / Que o dia é de papel / E nada”… Uma levada contagiante absorvida pela atmosfera flower-power. Só escutando para entender… 

 Frederyko, o Fredera, em foto recente

 

    Dos três discos, este é o que menos me agrada no conjunto da obra, mas é também o que tem uma das minhas músicas preferidas do grupo, a subversiva “A Nova Estrela”. Composta por Wagner Tiso e Fredera, dava uma pista do som que seria desenvolvido no terceiro e último trabalho da banda, o progressivo Matança do Porco. A música rendeu um curta dirigido por André José Adler, que acabou representando o Brasil no Festival de Cinema de Berlim. Neste mesmo ano, o Som Imaginário acompanhou Gal Costa em seus shows pelo Brasil, tendo novamente a presença do percussionista Naná Vasconcelos em algumas das apresentações.

 

     A trupe também participou de vários shows alternativos como o Festival de Verão de Guarapari, realizado em fevereiro de 1971, no Espírito Santo, e anunciado como a versão brasileira do lendário Woodstock. Apesar das participações do Som Imaginário, Milton Nascimento e Novos Baianos, entre outros, o evento foi um estrondoso fracasso, prejudicado por uma série de fatores como a falta de planejamento dos organizadores e a infra-estrutura precária do local.  

 

    Para piorar, a Polícia Militar vetou a presença dos hippies no festival. Resultado: ao invés das 40 mil pessoas esperadas, o “espetáculo” atraiu apenas 4 mil espectadores. Foi este também o festival em que Tony Tornado deu o famoso “mosh” sobre a platéia, caindo em cima de uma espectadora e quase a deixando paraplégica. Mas vamos tratar de amenidades… Paz e amor, bicho!

 

Faixas: 01.Cenouras / 02.Você Tem Que Saber / 03.Gogó / 04.Ascenso / 05.Salvação pela Macrobiótica / 06.Uê / 07.Xmas Blues / 08.A Nova Estrela

 

SOM IMAGINÁRIO – CENOURAS

 

 

SOM IMAGINÁRIO – SALVAÇÃO PELA MACROBIÓTICA

 

 

SOM IMAGINÁRIO – UÊ

 

 

SOM IMAGINÁRIO – A NOVA ESTRELA

 

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