DEMON FUZZ – AFREAKA! (1970)

Outubro 27, 2008

    Afro-jazz psicodélico? Jazz-funk experimental? Rock progressivo negróide? Na verdade, isso pouco importa quando se escuta o álbum Afreaka! e o seu fulminante caldeirão sonoro de referências. Raridade lançada em 1970 pelo selo Dawn, trata-se do único e obscuro álbum do grupo britânico Demon Fuzz, cuja estrutura rítmica é alimentada por um mecanismo de conexão black, com engrenagens multiplicando o fator groove.  

 

    Oriundo da cena afro-rock britânica (a mesma de bandas como Brotherhood of Breath e Noir), o combo era formado por Smokey Adams (voz), Ray Rhoden (piano, órgão), W. Raphael Joseph (guitarra), Sleepy Jack Joseph (baixo), Steven John (bateria), Clarance Brooms Crosdale (trombone), Paddy Corea (flauta, sax, congas) e Ayinde Folarin (congas), e durou apenas 8 meses, o suficiente para conceber esta verdadeira obra-prima.

 

    Miscelânea sonora sensacional, potencializada em jams fulminantes e arranjos maneiríssimos a cargo de Paddy Corea, privilegiando a individualidade dos instrumentistas envolvidos, sem perder a coesão e a unidade sonora. Discaço trazendo composições moldadas pela dupla R. Rhoden e W. R. Joseph e produção certeira de Barry Murray. 

 

    Um cruzamento de levadas grooveadas com influências jazzísticas e alternâncias climáticas, agrupando elementos do afrobeat de Fela Kuti; funkeira nervosa no compasso de JB’s, Funkadelic e Sly & Family Stone; pitadas de funk latino, antecipando aquilo que Mandrill, Osibisa e Cymande fariam com maestria na mesma década; e resquícios de psicodelia e progressivo nas belas passagens de órgão de Ray Rhoden, conduzindo a lisergia black.

 

 

    E não é só: frases de guitarra e linhas de baixo estilosas, flautas e solos de sax de cair o queixo, bateria e percussão afro bem destacadas, aliados ao vocal suave de Smokey Adams que em maravilhas como Hymn To Mother Earth” e “Disillusioned Man“, parece cantar para o último de seus dias. Junto a faixas instrumentais de perder o fôlego como “Past, Present and Future” e “Mercy (Variation No.1)”, são alguns dos melhores temas que já escutei na seara da black music. O disco traz ainda uma versão instigante para “Another Country” do Electric Flag, bandaça por onde passaram nomes como o guitarrista Mike Bloomfield, o batera Buddy Miles e o cantor Nick Gravenites.

 

    Para aqueles que já conheciam as cinco faixas do play original do Demon Fuzz, a novidade veio em 2005, com o lançamento de Afreaka! em formato digital, através do selo Janus Records, incluindo material do primeiro EP da banda, com 3 gravações ainda mais raras: “Message To Mankind”, “Fuzz Oriental Blues”uma versão arrebatadora de “I Put A Spell On You”, clássico do maluquete Screamin’ Jay Hawkins. Para os ratos de sebo que procuram uma obscuridade funky, é como achar o Santo Graal. Recomendadíssimo. 

 

Faixas: 01. Past, Present And Future / 02. Disillusioned Man / 03. Another Country / 04. Hymn To Mother Earth / 05. Mercy (Variation No.1) / 06. I Put A Spell On You (Bonus Track) / 07. Message To Mankind (Bonus Track) / 08. Fuzz Oriental Blues (Bonus Track)

 

Link p/ audição: http://www.lastfm.com.br/music/Demon+Fuzz

 

Download: http://www.mediafire.com/?0jnt33abknl 

 

DEMON FUZZ – PAST, PRESENT AND FUTURE

 

 

DEMON FUZZ – DISILLUSIONED MAN

 

 

 

DEMON FUZZ – ANOTHER COUNTRY

 

 

DEMON FUZZ – I PUT A SPELL ON YOU (CLIQUE 2 X PARA VER O VÍDEO NO TUBE)

 

 

SCREAMIN’ JAY HAWKINS – I PUT A SPELL ON YOU

 

 

DEMON FUZZ – MESSAGE TO MANKIND

 


WILCO – SKY BLUE SKY (2007)

Outubro 25, 2008

 

    Sexto álbum de estúdio da banda americana Wilco, Sky Blue Sky foi lançado há mais de um ano, mas tenho que confessar que o play continua em alta rotatividade aqui no pedaço. Capaz da bolachinha se desintegrar… E o que é melhor: a edição de luxo vem acompanhada de um DVD e posso desta forma, conferir a olhos vistos a categoria monstruosa desta turma de Chicago.

 

    Dos melhores grupos surgidos nos últimos anos, tem à frente a figura do excelente violonista, cantor e compositor Jeff Tweedy que, neste ótimo trabalho, descarrega seu acervo de belas poesias, falando sobre a conturbada relação humana e seus estilhaços de tristeza, alegria, amor, ódio, esperança e desgosto.

 

    Passional e sentimental o suficiente para nos fazer mergulhar naquele climão melancólico em meio a um daqueles dias cinzentos ou quem sabe, ser apreciado após um briguinha básica com a patroa. Se não houver reconciliação, resta então emoldurar a capa do álbum (belíssima por sinal), colocá-la na parede e gritar a plenos pulmões: “- Soy un hombre libre”. Céus, quanta bobagem… (risos)  

 

    Bom, falando sério, quem já escutou Wilco sabe que a banda toda é fodástica e que técnica e feeling são qualidades que não ficam restritas ao band-leader Jeff Tweedy. Outros músicos também impressionam com as suas habilidades musicais. É o caso de Nels Cline, experiente guitarrista de berço jazzístico e correntes diversas, que só entrou na banda em 2004. O line-up traz ainda o tecladista Mikael Jorgensen, o batera Glenn Kotche e o duo do Autumn Defense, o multiinstrumentista Pat Sansone e o baixista John Stirratt, além de outras participações.

 

 

    O disquinho tem de tudo: pop, soul, jazz, folk, country e uma sonoridade imersa no soft-rock setentista. As referências são muitas. É impossível ouvir Sky Blue Sky e não lembrar de Beatles, Wings, Steely Dan, Byrds ou Neil Young, por exemplo. 

 

    Os arranjos são um arregaço, beneficiando principalmente as artimanhas sensacionais de Cline (na faixa título ou em “Walken”, por exemplo, ele coloca a guitarra no colo e a chama de meu bem, tocando com as cordas voltadas para cima e os dedos  percorrendo os trastes, com o slide correndo solto), as peripécias do competente Sansone (principalmente quando interfere com seu Hammond) e os malabarismos de Kotche (deve ser cabuloso saber tocar bateria só para frasear músicas como “Walken”, “Shake It Off” ou “Hate It Here”… demais!).  

 

    Faixas poderosas como “Either Way”, “Impossible Germany”, “Side with the Seeds” ou “On and On and On”, mostram a coesão da banda, com belas construções harmônicas, melodias inesquecíveis e composições com a assinatura de Mr. Jeff Tweedy. Sei que muitos preferem Yankee Hotel Foxtrot de 2002 ou A Ghost Is Born de 2004, registros excepcionais, sem dúvida. Mas o meu preferido é mesmo esta belezinha lançada em 2007, chamada Sky Blue Sky. Vou escutar o play de novo e já volto…  

  

Faixas: 01. Either Way / 02. You Are My Face / 03. Impossible Germany / 04. Sky Blue Sky / 05. Side With the Seeds / 06. Shake It Off / 07. Please Be Patient With Me / 08. Hate It Here / 09. Leave Me (Like You Found Me) / 10. Walken / 11. What Light / 12. On and on and on 

 

Download: http://www.badongo.com/pt/cfile/4343100

 

 

 

WILCO – EITHER WAY

 

  

 

WILCO – YOU ARE MY FACE

 

 

 

WILCO – IMPOSSIBLE GERMANY

 

 

 

WILCO – SKY BLUE SKY

 

 

 

WILCO – SIDE WITH THE SEEDS

 

 

WILCO – SHAKE IT OFF

 

 

WILCO – PLEASE BE PATIENT WITH ME

 

 

WILCO – HATE IT HERE

 

 

 

WILCO – WALKEN

 

 

 

WILCO – WHAT LIGHT

 

 

 

WILCO – ON AND ON AND ON

 

 


JACK BRUCE – SONGS FOR A TAILOR (1969)

Outubro 9, 2008

    Cantor de timbre vocal marcante, compositor de capacidade única e, acima de tudo, um dos maiores baixistas surgidos na face da Terra. Se você pensou em Jack Bruce, acertou em cheio. Um músico carregado de atributos que virou lenda não só pela sua passagem por combos sensacionais como Graham Bond Organization, Manfred Mann, John Mayall & The Bluesbreakers e West, Bruce & Laing, entre outros, mas evidentemente por ser parte do maior power trio inglês da história do rock, o Cream.

 

    Ao longo de seus 65 anos de idade e com uma carreira solo bem desenvolvida, Jack Bruce ostenta uma discografia com pelo menos duas dezenas de álbuns individuais. Alguns deles são obrigatórios, como é o caso deste Songs For a Tailor, sua estréia solo. Lançado pela Polydor Records em 1969, é um disco que pode causar certa estranheza nas primeiras audições, muito por conta da sonoridade dissonante e da alternância de compassos de algumas canções, mas que com o tempo vai sendo melhor absorvido.

 

    Bruce se sente em casa, extraindo timbres e linhas melódicas brilhantes de seu baixo elétrico Gibson EB3. Sua voz distinta passeia por arranjos sinuosos, devidamente incrementados com sua destreza ao piano, órgão, violões e violoncelos. Nas composições, a parceria dos tempos de Cream permanece intacta, com o virtuoso baixista elaborando os arranjos e o poeta e músico Pete Brown escrevendo as letras.

 

    Produzido pelo infalível Felix Pappalardi (que já havia trabalhado com o Cream no clássico Disraeli Gears, em 1967), mostra a busca incessante de Bruce por novas sonoridades. Para tanto, foram convocados o baterista Jon Hiseman e o saxofonista Dick Heckstall-Smith (membros da banda britânica de jazz-rock Colosseum), além do guitarrista Chris Spedding. Entre outras participações, a mais curiosa é a de L’Angelo Misterioso (alguém já ouviu falar em George Harrison?) na faixa de abertura, a intensa “Never Tell Your Mother She’s Out of Tune”. Nesta música e em outras duas (“The Ministry of Bag” e “Boston Ball Game, 1967”), os arranjos ganham corpo com as presenças de Harry Beckett e Henry Lather nos trompetes e Art Themen no saxofone.

 

 Jack Bruce on stage / maio de 2008   

 

    Tudo funciona muito bem em “Tickets To Water Falls”: vocal, linhas de baixo, fraseados de piano e guitarra fascinantes, criando uma maravilhosa concepção harmônica. Outro ponto alto é “To Isengard”: começa calma, com vocal suave de Bruce e guitarras acústicas. Na metade da música, o vocal torna-se rude, dando início a um duelo entre o baixo de Bruce e a guitarra de Spedding. Com pouco mais de cinco minutos, é a faixa mais longa do disco e traz Pappalardi dando uma forcinha nos vocais e na guitarra rítmica.

 

    Maravilhosa também é a faixa “Rope Ladder To The Moon”, onde o ambiente sonoro é construído em torno de uma instrumentação acústica, com Bruce tocando quase todos instrumentos (vocal, violoncelo, guitarra, piano e baixo), assessorado por John Marshall na bateria e Felix Pappalardi na percussão e nos vocais de apoio. Mas o destaque vai mesmo para a clássica “Theme For An Imaginary Western”, regravada pelo Mountain e pelo Colosseum no ano seguinte e aqui conduzida com toque de classe pelo trio Bruce/Spedding/Hiseman. Sem comentários… 

 

    Em 2003, a Polydor soltou uma versão remasterizada de Songs For A Tailor, contendo 4 faixas bônus: duas versões alternativas para “Ministry of Bag” e mais duas para as energéticas “Weird of Hermiston” e “The Clearout”. Vale cada centavo investido.

 

Faixas: 01. Never Tell Your Mother She’s Out of Tune / 02. Theme for an Imaginary Western / 03. Tickets to Water Falls / 04. Weird of Hermiston / 05. Rope Ladder to the Moon / 06. The Ministry of Bag / 07. He the Richmond / 08. Boston Ball Game, 1967 / 09. To Isengard / 10. The Clearout

Download: http://www.4shared.com/file/34051106/b3c78692/jack_bruce_sfat.html

ou

Download: http://www.4shared.com/file/40134329/9f82d6d2/1969_Songs_for_a_Tailor.html

 

JACK BRUCE – NEVER TELL YOUR MOTHER SHE’S OUT OF TUNE

JACK BRUCE – THEME FOR AN IMAGINARY WESTERN

MOUNTAIN – THEME FOR AN IMAGINARY WESTERN

COLOSSEUM – THEME FOR AN IMAGINARY WESTERN

 

JACK BRUCE – ROPE LADDER TO THE MOON

COLOSSEUM – ROPE LADDER TO THE MOON (CLIQUE 2 X PARA VER O VÍDEO NO TUBE)

    

JACK BRUCE – THE CLEAROUT


McCOY TYNER – FLY WITH THE WIND (1976)

Outubro 8, 2008

    McCoy Tyner está na minha lista de pianistas preferidos do jazz. Integrante do extraordinário John Coltrane Quartet na década de 60, também demonstrou raro talento ao lado de jazzistas diversos como Freddie Hubbard, Lee Morgan, Stanley Turrentine, Wayne Shorter, Grant Green e Donald Byrd, entre outros. Desde então vem desenvolvendo uma prolífera carreira solo, gravando por diversos selos, entre eles os tradicionais Impulse, Milestone, Columbia, Blue Note e Elektra.

    Este álbum Fly With The Wind foi gravado no Fantasy Studios em janeiro de 1976 e traz um colorido orquestral magnífico, com Tyner combinando arranjos de cordas e metais dentro do formato jazz. Com produção do renomado Orrin Keepnews, é mais um excelente trabalho deste virtuoso pianista americano, e nos brinda com arranjos inspiradíssimos e composições impecáveis.

    Para acompanhá-lo, feras como Ron Carter (baixo acústico), Hubert Laws (flautas) e Billy Cobham (bateria), e ainda a brilhante presença de William Fischer conduzindo uma orquestra na ponta dos cascos: Stuart Canin, Peter Schafer, Daniel Kobialko, Edmund Weingart, Frank Foster, Myra Bucky, Mark Volkert (violinos); Selwart Clark, Daniel Yale (violas); Kermit Moore, Sally Kell (violoncelos); Paul Renzi (flautim, flauta); Raymond Dusté (oboé); Linda Wood (harpa); e Guilherme Franco (pandeiro)… memorável! 

    Só a faixa título já é uma obra admirável, mas as orquestrações fantásticas não param por aí: “Salvatore de Samba”, “Beyond The Sun”, “You Stepped Out Of A Dream” e “Rolem” (com Tyner destruindo seu piano) completam uma seqüência sensacional, com harmonias e linhas melódicas próximas ao paraíso. A reedição inclui 2 faixas bônus (takes alternativos de “Beyond The Sun” e “Rolem”) e um encarte com ilustrações e notas do LP original, acrescido de várias páginas relatando a carreira de Tyner e o clima nos estúdios durante a gravação deste play.

    Não achei nenhum link para fazer o download “na faixa”, mas depois de encontrar alguns videos no velho Tube, não tive dúvidas em postar este disco obrigatório aqui no blog. Sublime! 

Faixas: 01. Fly With The Wind / 02. Salvadore De Samba / 03. Beyond The Sun / 04. You Stepped Out Of A Dream / 05. Rolem / 06. Beyond The Sun [Alternate Take] / 07. Rolem [Alternate Take].  

Link p/ breve audição:

http://www.tower.com/fly-with-wind-mccoy-tyner-cd/wapi/112045654 

McCOY TYNER & GARY BARTZ – FLY WITH THE WIND

McCOY TYNER – FLY WITH THE WIND

McCOY TYNER – YOU STEPPED OUT OF A DREAM

ORRIN KEEPNEWS FALA SOBRE A PRODUÇÃO DO ÁLBUM