MAMMA CADELA – EM BUSCA DA VERDADE (2006)

Abril 30, 2009

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    Nos últimos anos o rock instrumental brazuca tem mostrado força e vigor com o surgimento de grandes bandas no cenário nacional, e exemplos dessa vitalidade não faltam: Pata de Elefante (RS), Macaco Bong (MT), Retrofoguetes (BA), Go! (RJ), Gasolines (SP), Chimpanzé Clube Trio (SP), Guizado (SP) e por aí vai. Seguindo esta estética sonora, o Mamma Cadela despontou na cena underground de São Paulo, e depois de gravar dois EPs no biênio 2004 e 2005, lançou em dezembro de 2006, de forma independente, o seu disco de estréia intitulado Mamma Cadela em Busca da Verdade

    Projeto paralelo do guitarrista Fernando Coelho (também integrante do Seychelles), o Mamma Cadela faz um instrumental calcado nas correntes do jazz contemporâneo, da música experimental, do trip-hop e do rock psicodélico dos anos 60 e 70. Música de vanguarda e de conexões diversas. Nesse caldeirão sonoro, ascendências sônicas que remontam a Frank Zappa, Hermeto Pascoal, Kraftwerk e Pink Floyd. Outra influência declarada é a de Nino Rota, compositor italiano de trilhas sonoras, cujo talento está imortalizado em vários dos filmes de Federico Fellini, Luchino Visconti, Franco Zeffirelli e Francis Ford Coppola. 

    Apesar dos elementos do passado, a proposta da trupe é esculpir um novo formato para a música instrumental, cuja fórmula reúne arranjos de dinâmicas variáveis, que aliam harmonias complexas e melodias delicadas, alternando atmosferas sombrias e melancólicas com outras mais divertidas. Além de Coelho, completam o núcleo paulistano os músicos Rodrigo Fonseca (baixo, charango, teremin), Ladislau Kardos (bateria), Fabio Pinc (teclados e samplers) e Ismael Sedenski (pick-ups e sintetizadores). Neste debut, o quinteto ganha o reforço de um quarteto de cordas e instrumentos de sopro que incrementam as maquinações sonoras. 

    O disco foi produzido por Fabio Pinc (que também trabalha com as bandas Seychelles e Ludov) e o material foi quase todo gravado ao vivo, trazendo algumas participações especiais. Na bela “Meus Eletrodomésticos”, a cantora Wanderlea interpreta fragmentos de “Antonico”, música de Ismael Silva. Em “Lapin Noir”, Joana Cecatto (da banda paulistana Biônica) canta em francês um tema esquisito que conta a “trágica” história de um coelho preto chamado Antônio. Em ambos os casos, o recurso de vozes não é exatamente como vocais, mas em forma de declamações e narrativas -  como acontece também com a climática e sensorial “Da Espanha pro Brasil”, que traz um cântico soturno, em espanhol.

Mamma Style, a mascote do Mamma Cadela. Criação de Alex Senna

    Outros destaques são as faixas “Lição Marítima nº 3” (com interferências guitarrísticas que lembram as artimanhas de David Gilmour); “Abraço dos  Militares” (que inclui marcha marcial, discurso de general e climão tenso nas instrumentações); “Dentadura de Robô” (bem poderia se chamar “trilha sonora retro-futurista para filmes imaginários e sem sentido”); “Natunobilis” (um drink sonoro relaxante, consumido por um belo arranjo de cordas); “Jantar com Kubrick” (a mais experimental do disco, traz trompete, sinos, gritos e ruídos fantasmagóricos, além de participação especial do “Monstro do Abismo”, segundo o encarte); e a dobradinha “A Suiça me Deixou sem Suingue” (com uma arquitetura sonora instigante e inquietante) e “Bohemia sem Calcinha” (que encerra maliciosamente as festividades, incorporando trecho da música “A Semente” dos Seychelles, numa levada turbinada com metais na participação do saxofonista Guilherme Garbato do grupo Abimonistas). Mamma mia!

    Já vi uma apresentação dos caras no Museu da Imagem e do Som (SP) em meados de 2007 e o suporte musical é soberano.  Lembro que além da massa sonora sofisticada e criativa, o show era moldado por luzes e projeções de filmes em películas, culminando em um belo espetáculo audiovisual. Ao fundo do palco onde a banda se apresentava, eram projetados trechos do documentário Koyaanisqatsi de Francis Ford Coppola e do clássico Os Pássaros de Alfred Hitchcock, criando uma atmosfera envolvente e fascinante.

    Pra quem curte o som da banda e já está com o play Em Busca da Verdade desintegrado de tanto escutar, resta aguardar o lançamento do segundo disco da turma que, diz a lenda, deve estar estourando na praça ainda este ano. E algumas destas novas composições já foram apresentadas nos shows da trupe nos últimos três anos. As inéditas “Cookie Monster”, “Estive Onde?”, “O Travesseiro do Serial Killer”, “Pinga de Churumi” e “Lição Marítima n° 5”  são pistas que mostram que o Mamma Cadela segue firme a trilha sonora de música futura, de um mundo desconhecido e sobrenatural. Mamma Style!

Faixas: 01. Lição Marítima nº 3 / 02. Papa à Passarinho / 03. Meus Eletrodomésticos / 04. Abraço dos Militares / 05. Dentadura de Robô / 06. Lapin Noir / 07. Da Espanha pro Brasil / 08. Natu Nobilis / 09. Jantar com Kubrick / 10. A Suiça me deixou sem suingue / 11. Bohemia sem Calcinha 

Download: http://rapidshare.com/files/18285269/Mamma_Cadela_Em_Busca_da_Verdade.rar.html

MAMMA CADELA – LIÇÃO MARÍTIMA N° 3

MAMMA CADELA – PAPA À PASSARINHO

MAMMA CADELA – MEUS ELETRODOMÉSTICOS

MAMMA CADELA – ABRAÇO DOS MILITARES

MAMMA CADELA – ABRAÇO DOS MILITARES

MAMMA CADELA – JANTAR COM KUBRICK

MAMMA CADELA – BOHEMIA SEM CALCINHA

MAMMA CADELA – COOKIE MONSTER

MAMMA CADELA – ESTIVE ONDE?

MAMMA CADELA – O TRAVESSEIRO DO SERIAL KILLER

MAMMA CADELA – O TRAVESSEIRO DO SERIAL KILLER

MAMMA CADELA – PINGA DE CHURUMI

MAMMA CADELA – LIÇÃO MARÍTIMA Nº 5


CACTUS – CACTUS (1970)

Abril 5, 2009

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    Um dos grandes representantes do hard rock americano dos anos 70, o Cactus foi projetado inicialmente para ser um supergrupo, tendo à frente as figuras de Jeff Beck na guitarra, Rod Stewart nos vocais e a ex-cozinha do Vanilla Fudge – o baixista Tim Bogert e o baterista Carmine Appice. Mas as pretenções foram por água abaixo quando o genial guitarrista britânico sofreu um acidente automobilístico que o afastou de cena por um tempo, inviabilizando esta empreitada. Rod Stewart, por sua vez, acabou tomando outra direção. Além de investir em sua carreira solo, se aliou ao guitarrista Ron Wood – parceiro da primeira encarnação do Jeff Beck Group e futuro membro dos Rolling Stones – para juntos, integrarem o line-up de outra bandaça: os Faces.  

 

    Com as duas baixas inesperadas, Bogert e Appice assumiram as rédeas do combo e partiram então para um plano B, e ao final dos anos 60, a formação clássica do Cactus começou a tomar forma. Para completar o time, foram recrutados o vocalista Rusty Day (que vinha do Amboy Dukes, a banda de Ted Nugent) e o guitarrista Jim McCarty (que acumulava trabalhos com os combos Mitch Ryder’s Detroit Wheels e The Buddy Miles Express). Com este quarteto demolidor e experiente, gravaram entre 1970 e 1971, os três primeiros álbuns da banda: Cactus (1970), One Way… Or Another (1971) e Restrictions (1971). Meses depois do lançamento do terceiro LP, alguns desentendimentos fizeram com que Jim McCarty e Rusty Day deixassem a banda.   

 

    Este auto-intitulado disco de estréia foi lançado em 1970 pelo selo Atco, e mostrava as características marcantes do alicerce sonoro do grupo: um rock pesado, cru e de sonoridade suja, com uma pegada blueseira venenosa e algumas partículas country pra levantar a poeira da estrada. Elementos poderosos espalhados nas 8 faixas do LP original, que não à toa, é considerado um dos grandes lançamentos do rock pesado dos anos 70. Na estante de discos, guardo este e os outros LPs do Cactus lado a lado com outras porradas sônicas do naipe de Sir Lord Baltimore, Captain Beyond, Grand Funk Railroad, Dust, Blue Cheer, Mariani, Mountain ou West, Bruce & Laing - só pra ficar em algumas das bandas americanas adeptas da pancadaria sonora geral e irrestrita. 

 

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Da esquerda para a direita, em sentido horário: Jim McCarty, Tim Bogert, Carmine Appice e Rusty Day, à frente do Cactus.

    Pesos pesados à parte, o álbum de estréia do Cactus atinge o ouvinte como um upper certeiro no queixo. Abre com a agressiva “Parchman Farm”, de Mose Allison, uma pedrada nos ouvidos com andamento alucinado e que foi regravada por outras bandas estilosas como o Blues Project e o Blue Cheer. “My Lady from South of Detroit” é uma bela canção com acentos country, daquelas que surgem como brisa em meio a um sol escaldante… ponha o cavalo na sombra, deite numa rede e relaxe. “Bro. Bill” é outra pérola blueseira que agrega belos dedilhados de McCarty, gaita maliciosa de Rusty Day, seção rítmica impecável e vocais vibrantes pra ensolarar o dia cinzento de qualquer bolha gosmento. Outro destaque vai para a versão venenosa de “You Can’t Judge a Book by the Cover” de Willie Dixon, com um arranjo envolvente e criativo, alternando climas amenos com levadas mais quentes nas instrumentações.   

    “Let Me Swim”, com a clássica pegada possante da trupe, abre o lado B do vinil, impondo um hard rock matador, com direito a riffs pulverizantes e boas intervenções solísticas a cargo de Mr. McCarty. “No Need To Worry” é um blues arrasador, com andamento lento e vocal rasgado de Rusty Day, em mais um grande momento da banda. “Oleo” tem um temperamento boogie, com nova leva de solos matadores não só da guitar de McCarty, como também do baixo de Bogert. Em “Feel So Good”, riffs, timbres e grooves funcionam muito bem e o versátil Carmine Appice ainda castiga os bumbos, desferindo um solinho maneiro que comprova suas habilidades com as baquetas.  

 

    Musicalmente falando, o álbum apresenta os integrantes em performances arrebatadoras: muitos arpejos de gaita e o vocal indócil de Rusty Day, riffs e solos afiadíssimos vindos da guitarra de Jim McCarty e a cozinha entrosada e técnica dos virtuosos Bogert e Appice. Um álbum essencial para os admiradores do rock pesado, do blues e dos bons sons.      

 

     Em 1972, a banda gravou o seu quarto álbum, ‘Ot ‘N’ Sweaty, já com uma outra formação que incluía, além dos remanescentes Bogert e Appice, três novos contratados: o guitarrista Werner Fritzschings, o tecladista Duane Hitchings e o vocalista Peter French (ex-Leaf Hound e Atomic Rooster). Após a dissolução do Cactus em 1972 – e que só gravaria um novo álbum de inéditas em 2006, intitulado Cactus V – Tim Bogert e Carmine Appice ainda juntariam forças para formar ao lado de Jeff Beck, um power trio da pesada: o fantástico Beck, Bogert & Appice. Mas isso é um assunto que fica para uma outra postagem… Castiga!

 

Faixas: 01. Parchman Farm / 02. My Lady from South of Detroit / 03. Bro. Bill / 04. You Can’t Judge A Book By The Cover / 05. Let Me Swin / 06. No Need To Worry / 07. Oleo / 08. Feel So Good 

 

Download:  http://sharebee.com/f4e8b7d7  

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Download: http://www.badongo.com/file/3161487

Ou

Download: http://www.4shared.com/file/70850156/ea5abd36/1970cactus.html

CACTUS – PARCHMAN FARM

CACTUS – PARCHMAN FARM

CACTUS – LET ME SWIW (JAMMING AT BACKSTAGE)

CACTUS – LET ME SWIW

CACTUS – NO NEED TO WORRY

CACTUS – FEEL SO GOOD

THE SYNDICATS – YOU CAN’ T JUDGE A BOOK BY THE COVER