SINISTER VINYL COLLECTION: GENTLE GIANT – IN A GLASS HOUSE (1973)

Junho 20, 2011

Artista: Gentle Giant

País: United Kingdom 

Álbum: In a Glass House

Ano de gravação / lançamento: 1973

Músicos: Derek Shulman (vocal, sax alto e sax soprano), Gary Green (guitarras de 6 e 12 cordas, mandolin e percussão), Kerry Minnear (teclados, percussão e vocal), Ray Shulman (baixo, guitarra acústica, violino, percussão e vocais) e John Weathers (bateria e percussão).

Produção e arranjos: Gentle Giant

Arte gráfica e fotos: Martyn Dean

Gênero: Rock / Rock Progressivo / Art Rock

Selo: WWA / 6366 200 A

Prensagem: Italy

Lado A: 01. The Runaway / 02. An Inmates Lullaby / 03. Way of Life

Lado B: 01. Experience / 02. A Reunion / 03. In a Glass House

GENTLE GIANT – THE RUNAWAY

GENTLE GIANT – THE RUNAWAY + EXPERIENCE (1974)

GENTLE GIANT – AN INMATES LULLABY

GENTLE GIANT – WAY OF LIFE

GENTLE GIANT – EXPERIENCE (1975)

GENTLE GIANT – A REUNION

GENTLE GIANT – IN A GLASS HOUSE


GENTLE GIANT – ACQUIRING THE TASTE (1971)

Maio 30, 2009

    Infalivelmente uma das mais fascinantes e criativas agremiações do rock progressivo em todos os tempos, o Gentle Giant surgiu em 1970 a partir das cinzas do combo Simon Dupree and The Big Sound. O grupo britânico criado pelos irmãos Derek, Ray e Phil Shulman marcou seu nome na história do rock desenvolvendo uma sincronia sonora cabulosa, combinando prog rock, hard rock, jazz, folk e elementos de músicas medieval, renascentista, barroca e clássica.

    Sua estrutura musical complexa, sofisticada e de raríssima beleza, conseguiu cativar este bolha sinistro ao longo dos anos, ao passo em que explorava a sua discografia. Bandaça, cujo símbolo e mascote é uma cria do escritor renascentista francês François Rabelais: ninguém menos que Pantagruel, o gigante gentil que inclusive protagoniza algumas das letras da turma. Em 10 anos de carreira, lançaram 12 discos oficiais – a maioria deles, verdadeiras pérolas do progressivo. 

    Os oito primeiros discos (mais o ao vivo Playing the Fool, de 1977) são essenciais para ir a fundo no que de melhor a banda produziu em uma década de existência, antes de encerrar as atividades em 1980. Já que o assunto são obras primas discográficas do Gigante Gentil, nada melhor do que postar aqui no blog o segundo álbum do grupo, lançado em 1971 pelo cultuado selo Vertigo: o experimental e sombrio Acquiring the Taste. Engraçado que não era o meu disco predileto da trupe – curtia mais o Three Friends (72), o Octopus (72) e o The Power and The Glory (74) – mas diríamos que com o tempo, fui adquirindo gosto pela coisa e hoje é o meu play favorito. 

    A formação aqui era a mesma do primeiro álbum homônimo, lançado em 1970: Derek Shulman (vocal, saxofone e clavicórdio), Ray Shulman (baixo, violino, viola, violão de 12 cordas, guitarra espanhola, tamborim e vocais), Phil Shulman (vocal, saxofone, trompete, clarinete, piano e maracas), Kerry Minnear (piano elétrico, órgão, Moog, mellotron, xilofone, vibrafone, clavicórdio, cravo, maracas e vocal), Gary Green (guitarras de 6 e 12 cordas, percussão e vocais) e Martin Smith (bateria, tamborim e percussão). É notável a parafernália de instrumentos pouco utilizados na esfera do rock. É também o segundo e último disco do GG com produção do mago Tony Visconti (que deitou fama produzindo trabalhos de David Bowie, T. Rex e outros tantos artistas e bandas no decorrer da carreira). 

Gary Green, Ray Shulman e Kerry Minnear em 1975

    A ousada capa de Acquiring The Taste trazia um desenho que, a princípio, mais parecia uma língua prestes a lamber um traseiro. Porém, ao abrir a capa dupla, a imagem pervertida é desvendada: o suposto traseiro não passa de um pêssego, próximo de ser devorado. Uma iguaria sonora pra lá de suculenta, contendo uma coleção magnífica de músicas estranhamente belas e dissonantes, feitas para pulverizar a mente dos incautos.

    Faixas como “Pantagruel’s Nativity”, “Edge Of Twilight”, “The House, The Street, The Room”, “Wreck”, “The Moon Is Down”, “Black Cat” ou “Plain Truth” mostram toda a inventividade e técnica do sexteto: harmonias melódicas surreais, texturas sonoras fantásticas, camadas vocais assombrosas, riqueza absurda nas composições, arranjos estranhamente belos, ousadia instrumental sem igual e nada, nadinha de melodias fáceis. Tudo sob a tutela de músicos de outra dimensão. Um disco anticomercial, de sonoridade difícil e que deu a eles o status de banda cult. Um registro no mínimo indispensável! 

    Um detalhe é que todos os músicos que passaram pelo Gentle Giant – incluindo os bateristas Malcolm Mortimore (que participou do álbum Three Friends) e o maluquete John  Weathers (que estreou no excepcional Octopus e permaneceu na banda até o fim, gravando o derradeiro Civilian de 1980) – eram virtuoses em seus instrumentos. Kerry Minnear, por exemplo, não é só um dos melhores tecladistas da história do rock, como também é mestre arranjador e graduado em composição na Academia Real de Música. E o quê falar da versatilidade nas instrumentações dos irmãos Shulman? E quanto às geniais intervenções guitarrísticas de Gary Green? Surreal, meus amigos… surreal! 

Derek Shulman segurando a onda do Gigante Gentil

    Outro fator importante é que todos os integrantes cantavam. E como compreender o entrosamento vocal sobrenatural dessa turma? Coisa de louco! Uma combinação de vocais múltiplos e sincronizados, criando uma atmosfera do além. Os solos vocais ficavam a cargo principalmente de Derek Shulman (aquele com a voz mais grave e pesada), mas Kerry Minnear (com seu timbre suave e celestial) e Phil Shulman (cuja voz se situa, por suas características, no meio das duas anteriores, no meio-termo) também participam com maestria das vocalizações. Vale lembrar que Phil deixou a banda em 1973, pouco depois do lançamento do álbum Octopus. 

    No palco, o show de virtuosismo era marca registrada da banda. Todos eles multi-instrumentistas, chegavam a provocar admiração e assombro do público com a mudança freqüente de instrumentos, e também com a complexidade e a riqueza de suas composições e arranjos. Uma banda com um grau de excelência do mesmo nível de outros monstros sagrados do progressivo britânico como King Crimson, Yes ou Emerson, Lake & Palmer, por exemplo. Vejam o DVD Giant on the Box (com apresentações do grupo em emissoras de TV da Alemanha e dos Estados Unidos entre 1974 e 1975) e comprovem. Simplesmente fantástico! 

    Buenas, a verdade é que sou um bolha bem suspeito pra falar de Gentle Giant. Prova maior é que recomendo toda a discografia da banda, mesmo porque discos bem menos inspirados como The Missing Piece (77), Giant For a Day (78) ou mesmo Civilian (80), são bem melhores que muitas das babas sonoras produzidas na música de tempos em tempos. Certeza! 

Faixas: 01. Pantagruel’s Nativity / 02. Edge Of Twilight / 03. The House, The Street, The Room / 04. Acquiring the Taste / 05. Wreck / 06. The Moon Is Down / 07. Black Cat / 08. Plain Truth 

GENTLE GIANT – PANTAGRUEL’ S NATIVITY

 

GENTLE GIANT – EDGE OF TWILIGHT (WITH THE MUPPETS)

THREE FRIENDS (KERRY MINNEAR, GARY GREEN, MALCOLM MORTIMORE…) – THE HOUSE, THE STREET, THE ROOM

GENTLE GIANT – WRECK

GENTLE GIANT – THE MOON IS DOWN

GENTLE GIANT – BLACK CAT

GENTLE GIANT – PLAIN TRUTH


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