MARKU RIBAS – UNDERGROUND (1973) / MARKU (1976)

Outubro 1, 2007

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    Mineirinho comendo pelas beiradas, dono do queijo, da bola e da corda que laçou toda uma leva de músicos da black music nacional nos anos 70 e nas décadas seguintes. Compositor, mestre na percussão e violão e dono de uma voz poderosa e marcante. Tropeçou no obscurantismo e no descaso da mídia por décadas e agora, aos poucos, vai sendo redescoberto pelo pessoal que curte a suingueira. Falo de Marku Ribas, expoente da mistura de ritmos brasileiros, jamaicanos e caribenhos, trazendo no sangue a ginga malandra do samba-rock, do balanço black e do jazz.

    Na ativa e em plenos pulmões, este mineiro de Pirapora vem nos últimos tempos ganhando terreno e conquistando novos admiradores no Brasil e no exterior. Mesmo subestimado, seu prestigio e influência nas rodas de bamba só tem aumentado. Prova disso é o desenvolvimento de parcerias com diversos nomes da nova geração da música brasileira: Clube do Balanço, Ed Motta, Max de Castro, BID, Paula Lima, Curumin, Marcelo D2, entre outros.

    Escutar Marku Ribas é mergulhar de cabeça na onda black da música nacional dos anos 70. E aí meu amigo, a lista dos bons sons é um prato bem servido: Jorge Ben, Tim Maia, Cassiano, Carlos Dafé, Trio Mocotó, Impacto 8, Raul de Souza, Black Rio, Dom Salvador e Abolição, Gerson King Combo… só coisa boa! Um antídoto perfeito pra cair na suingueira deslavada. Falando sobre a discografia do patrono do samba-rock, dois álbuns eu considero fundamentais na história da música brasileira: Underground de 1973 e Marku de 1976. Dissecando:

 

 UNDERGROUND ( 1973 ) 

 

 UNDERGROUND ( 1973 ) 

 

    Underground de 73, é um clássico para quem entende da matéria. Com arranjos do maestro Erlon Chaves, traz pérolas musicais como a maravilhosa “5,30 Schoelcher”, num arranjo impecável e letra memorável: “… raios solares entram na minha mente, iluminando o coração / e meu espírito contente me mostra a direção do mar…” Se você conhece a letra, só falta agora jogar a moringa no chão e relaxar. 

 

    “N’ Biri N’ Biri é nada menos que brilhante adaptação para  música do folclore africano. “Pacutiguibê Iaô“ injeta percussão e suingue nos poros, num provável hit em terreiro de Umbanda… saravá! “Matinic Moins” mostra influências de sua estada de 7 anos na Martinica, com a verve latina em ação e guitarrinha a la Santana no final. “Orange Lady” é samba-fruit-rock (sic) com caldo e bagaço pra lá de dançantes e letra que narra um barraco no salão de baile às 3 da matina. Pegou geral!

 

    Mas o destaque é mesmo a praieira “Zamba Ben”, clássico absoluto e verdadeiro hino do samba-rock. Gravada na época da ditadura militar, quase foi vetada pela impiedosa censura da época. Marku compôs a música original sem letra, a fim de usar sua voz como um instrumento. Um dos censores encasquetou com aqueles dialetos indecifráveis e pediu uma letra pra música ser aprovada. Marku escreveu a letra na hora e a música enfim foi liberada. No final, um drible aqui, uma pedalada lá e a música acabou sendo gravada da maneira original mesmo. É o craque a serviço dos bons sons. A letra, belíssima por sinal, só seria resgatada em gravações futuras. Como é que é aquele trecho mesmo? Ah é…

 

    *

    Zambei demais / Que de manhã eu lá na praia acordei
    Zambei demais / Que de manhã eu me encontrei
    Deitado à sombra de um coqueiro / como quem espera a vida passar
    Minha nega do meu lado / dizia: “Amor o mar tá gelado
    E o sol tá bom pra queimar”…

    *

    Vou dar um chuá, pegar um bronze e já volto… que maravilha!!

.DOWNLOAD: http://www.mediafire.com/?almttd3l3vu

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 MARKU (1976 ) 

 

    Buenas, outro álbum fantástico e este Marku de 76, tão bom quanto o antecessor. Ribas manda ver com um time de grandes músicos, incluindo aí João Donato, Wilson das Neves, Luizão Maia, Chiquito Braga e Miucha, além de uma seção de metais que contava com Oberdan Magalhães, um dos mentores da lendária banda Black Rio. É outra acachapante mistura de diferentes estilos e ritmos musicais.

    O disco abre com “Zi Zambi”, transbordando suingue até a medula, grudenta ao extremo e com uma levada rítmica contagiante.“Meu Samba Regue” é pioneira na fusão samba/reggae e traz el groove terrible conduzido por uma linha de baixo malandrérrima. “La pli Tombe” vem pontuada por ritmos caribenhos, numa adaptação de Ribas para música do folclore da Martinica. Tem a ginga do samba no pé no batuque descarado de “In Via Brasil”, com participação do conjunto Nosso Samba.

    Nova leva de arranjos fantásticos em “Deixa Comigo” que diz que “na lua de julho quando o sol tá de rachar, eu quero ver você dançar”… Não tem jeito: siga o fluxo sonoro pela sombra e caia no groove. “Curumin” é das prediletas da casa e segue descarregando uma linha melódica de arrepiar. “Kazumbanda” fecha com chave de ouro em uma performance instrumental belíssima e interpretação vocal monstro de Ribas, que canta “eu vou dar o pira, vou embora…” Nada mais que a gíria dos velhos tempos na cadência do black power. Demais!

DOWNLOAD: http://www.4shared.com/file/60999578/87d32bdf/-Marku_1976_NOSR.html?dirPwdVerified=daddde8a

    Lembro que achei esses vinis na loja do Carlinhos, a Disco 7, no centro de SP, por um precinho camarada. De quebra ainda levei o segundo do Trio Mocotó e outros grooves raros. Neste link, dá pra escutar algumas músicas desses dois discos de Marku Ribas…

 

 

http://profile.myspace.com/index.cfm?   fuseaction=user.viewprofile&friendid=158712102 

 

 

    Recentemente, saiu a coletânia Marku 72/75 reunindo canções destes dois discos. O título da compilação se refere aos anos em que os discos foram gravados. As bolachas chegaram nas lojas em 73 e 76. Marku também lançou um DVD comemorando 40 anos de carreira no começo do ano. Nessa longa tragetória, seu “Zamba Ben” foi regravado e sampleado por diversos artistas. Em 2001, no disco Swing & Samba-Rock, o Clube do Balanço chamou Ribas pra cantar os versos deste clássico. Outra participação recente pode ser notada no disco Bambas & Biritas do músico Bid (ex-Funk Como Le Gusta) na faixa “Fora do horário comercial”… Deveras fantástica!

 

    Enfim, esses dois discos e outros como Barrankeiro e Cavalo das Alegrias, por exemplo, são ítens obrigatórios pra quem quer conhecer o melhor da discografia deste grande músico mineiro. É Marku Ribas na cabeça! Eu vou dar o pira… até!

 

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“O zamba veio da África / como a dignidade também

O zamba bem é verdade / é tudo o que você tem

Você tem o chão do salão / e o terral que você é

Reconheça e ame o teu país / pois ele é você… mulher!”

                                             Marku Ribas

 

MARKU RIBAS – ZAMBA BEN

 

MARKU RIBAS – ZAMBA BEN

 

MARKU RIBAS E OS OPALAS – CURUMIM

 

LUANDA COZETTI E JORGE MACARRÃO – N’ BIRI N’ BIRI

 

TRACK LISTING

 

*Faixas Underground:

 

Zamba Ben – 5 :30 Schoelcher – O Adeus Segundo Maria – N’ biri N’ biri – Porto Seguro – Pacutiguibê Iaô – Madinina – Tira Teima – Matinic Moins – Orange Lady

 

 

*Faixas Maku:

Zi Bambi – Coisas de Minas – Meu Samba Regue – La Pli Tombé – Canaviá – Kaçuada – Deixa Comigo – Curumim – In Via Brasil – Kazumbanda

 

Discografia:
Flamingo - 1965

Déo e Marco – 1967

Batuki - 1970

Underground - 1973

Marku – 1976

Barrankeiro – 1977

Cavalo das Alegrias – 1979

Mente e Coração – 1980

20 Anos – 1983

Autóctone – 1991

18 sucessos de ouro - 1997

Cor da Pele – 1997

Coletânea 72/75 – 2002

 

Participações em outros discos:
• Hugues Aufray – 1970

• Frida Bocarra – 1970

• Liquid Rock – Hit Parade Martinica – 1972.

• Tim Maia e Convidados – 1977

• Emílio Santiago, Alcione e Jair Rodrigues – 1977

• Sebastião Tapajós – 1978

• Maurício Einhorn – 1979

• Chico Buarque – Ópera do Malandro – 1979

• Chico Buarque – Vida – 1980

• Mick Jagger – She’s the Boss - 1984

• Rolling Stones – Dirty Work – 1985

• Clube do Balanço – Swing & Samba-Rock – 2001

• Marcelo D2 – Hip-Hop-Rio – 2001

• Marcelo D2 – A procura da batida perfeita – 2003

Alabê de Jerusalén –Peça em DVD de Altair Veloso – 2003

• CD Ecos do São Francisco – 2003

• Coletivo Universal – 2004

• Marcelo D2 – MTV ao Vivo – 2005

• BiD – Bambas & Biritas – 2005