CANNED HEAT – BOOGIE WITH CANNED HEAT (1968)

    O segundo álbum do grupo foi lançado em janeiro de 1968 e posso dizer, sem medo de errar, que é um de seus melhores registros. Boogie With Canned Heat marca a estréia do baterista mexicano Adolfo de la Parra (ex-integrante de várias bandas do rock mexicano, desenvolveu trabalhos ao lado de nomes do r&b como T-Bone Walker, Ben E. King, Etta James e The Platters. Também fez parte do Bluesberry Jam, o embrião do Pacific Gas & Electric) substituindo Frank Cook, dando início àquela que é considerada a formação clássica da banda.

 

    É o disco de maior sucesso comercial do grupo e que o colocou nas paradas de sucesso, por conta do hit “On The Road Again” – um tema adaptado por Alan Wilson a partir de uma canção de mesmo nome, gravada em 1953 pelo bluesman Floyd Jones. Um dos maiores clássicos da banda, consagrando Wilson que com sua harmônica mágica despeja vibratos e efeitos hipnóticos chapantes. Sua voz de falsete, exalando um agudo frágil e peculiar, conduz a música que, aliada a sonoridade psicodélica que a envolve, fez a cabeça dos hippies e malucos espalhados pelos festivais da época.

 

    Outros destaques são as faixas “Evil Woman” (com um riff de guitarra poderoso, baixo carregado e uma levada próxima do hard rock), “My Crime” (blueseira sensacional, com letra lembrando o incidente ocorrido em Denver, em agosto de 67, quando a banda foi detida pela polícia local por porte de maconha), Turpentine Moan” (com o slide correndo solto e participação do pianista Sunnyland Slim) e “Amphetamine Annie” (um blues entorpecente, com letra inspirada numa conhecida que morreu de overdose de estimulantes. Tornou-se um tema antidrogas incensado pelos fãs… por mais incrível que isso possa parecer).

 

    Outra pérola é a versão de doze minutos de “Fried Hockey Boogie”, creditada ao baixista Larry Taylor, mas que na verdade é uma derivação do clássico “Boogie Chillen” de John Lee Hooker. Um “boogie experimental” abrindo espaço para as improvisações, com os membros desenvolvendo as suas habilidades nos instrumentos. A semelhança com o clássico “La Grange” do ZZ Top é evidente e essa “coincidência” quase levou o Canned Heat a processar o trio texano por plágio. Chama o Pepe Legal!

 

Da esquerda para a direita: Hite, Fito, Wilson, Vestine e Taylor 

 

    No geral, uma obra indispensável para os amantes do blues e que traz a assinatura da trupe na maioria das faixas, diferentemente do primeiro álbum, só com composições alheias. Mas o que impressiona é o vigor do núcleo Hite/Wilson/Vestine/Taylor/Fito, que demonstra muita afinidade e consistência, com performances individuais arrebatadoras. Henry Vestine, por exemplo, traduz toda a sua competência nas seis cordas em faixas como “World In A Jug” e na instrumental “Marie Laveau”, solando com muita propriedade. Depois deste trabalho sensacional, não foi preciso muito tempo para que fossem aclamados na América como os Reis do Boogie.   

 

    Ainda em 1968, depois da participação no New Pop Festival no mês de setembro, partiram para a sua primeira turnê européia. Vários shows, exposição em capas de revista, execução maciça nas rádios e aparições nos programas Top of Pops da TV Britânica e Beat Club da TV ARD da Alemanha. Foi o pulo do gato para que “On the Road Again” alcançasse o topo das paradas na Inglaterra, Alemanha e em praticamente toda a Europa. Além do vinil original, tenho o cd que saiu em 1999 pelo selo francês Magic Records, com seis faixas bônus.  

       

    Neste álbum, a ficha técnica traz pela primeira vez os apelidos incorporados aos nomes dos músicos – alguns criados pelos produtores Skip Taylor e John Hartmann. Alan “Blind Owl” Wilson já havia adotado a alcunha de “Coruja Cega” que ganhou do músico John Fahey, em 1965, numa referência aos óculos de lentes grossas que usava para compensar sua baixa visão. O carismático Bob “The Bear” Hite, “O Urso”, também já carregava consigo este apelido, possivelmente inspirado em nomes como o de Howlin Wolf e claro, por ser um bluesman de grandes proporções. Seguiram-se a eles Henry “Sunflower” Vestine (“O Girassol”), Larry “The Mole” Taylor (“O Toupeira”) e Adolfo “Fito” de la Parra. Mais adiante, Harvey “The Snake” Mandel (“O Cobra”) também ganharia o seu codinome ao integrar a banda. Animal!   

Faixas: 01. Evil Woman / 02. My Crime / 03. On The Road Again / 04. World In A Jug / 05. Turpentine Moan / 06.Whisky Headed Woman No. 2 / 07. Amphetamine Annie / 08. An Owl Song / 09. Marie Laveau / 10. Fried Hockey Boogie / Bônus: 11. On The Road Again / 12. Boogie Music / 13. Goin’ Up The Country / 14. One Kind Favor / 15. Christmas Blues / 16. The Chipmunk Song

CANNED HEAT – EVIL WOMAN

SPOOKY TOOTH – EVIL WOMAN

CANNED HEAT – MY CRIME

CANNED HEAT – ON THE ROAD AGAIN

CANNED HEAT – ON THE ROAD AGAIN

CANNED HEAT – ON THE ROAD AGAIN

CANNED HEAT – WORLD IN A JUG

CANNED HEAT – TURPENTINE MOAN / ON THE ROAD AGAIN

CANNED HEAT – WHISKY HEADED WOMAN N° 2

CANNED HEAT – AMPHETAMINE ANNIE

CANNED HEAT – AN OWL SONG

CANNED HEAT – MARIE LAVEAU

CANNED HEAT – FRIED HOCKEY BOOGIE

CANNED HEAT – BOOGIE MUSIC

7 Responses to CANNED HEAT – BOOGIE WITH CANNED HEAT (1968)

  1. Bruno "Canned Heat" diz:

    Essa voz do blind owl é um must do rock perdido dos anos 60. Esquisita mas lendária. Ótima matéria com videos e textos de uma das bandas mais importantes do cenário da costa oeste americana dos anos 60. Al Wilson é genial. Mandou bem.
    Abraço.

  2. Vito Hexa diz:

    O melhor disco deles é esse e a melhor música deles é ON THE ROAD AGAIN. Bandassa!!!!!!

  3. ade diz:

    There are only 10 tracks on this download, not 16 tracks as shown, very disappointing

  4. sinistersaladmusikal diz:

    Sorry, man. These links are terrible. The old link with the bonus tracks have expired. I traded for a link to the original album. If I find the link with the bonus tracks I lay here, ok. Thank you for visiting the blog and sorry again. Hug

  5. DOMINGOS SANTOS diz:

    cANNED IS MANY CRAZY

  6. APARECIDO SILVA MATTOS diz:

    No disco Hallelujah,a musica Down in the gutter,but free.
    Eles trocam os instrumentos ficando com a guitarra o

    o baixista.Não é o Henry Vestine na guitarra e sim no

    Baixo.

  7. sinistersaladmusikal diz:

    Eita Aparecido. Tô vendo a contracapa do disco aqui e realmente você está com a razão.
    Quem toca a guitarra na faixa Down In The Gutter, But Free não é o Vestine e sim o velho Larry Taylor de guerra.
    Quando pensei a matéria, bem que eu fiquei viajando na ficha técnica que traz desenhos (urso, girassol, rato, toupeira…) identificando quem toca qual instrumento no disco. Confesso que na hora de resenhar o álbum, isso passou batido. Mas ainda bem que usted percebeu o erro. Valeu pelo toque!
    Abração

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