SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS… SIMPLES ASSIM!

    Neste exato instante bolha, estou tirando a poeira dos discos do bom e velho Blood, Sweat & Tears, bandaça norte-americana formada na cidade de Nova York e que ganhou notoriedade com o seu rock cativante e inovador, sempre incrementado por arranjos sofisticados e repletos de metais e cordas no melhor estilo das big bands tradicionais.

    O combo surgiu em 1967 sob a liderança do músico, compositor e produtor americano Al Kooper (à frente, na foto acima) que arregimentou uma tropa de músicos disposta a fundir o rock ao jazz, incorporando elementos do soul, do blues e da psicodelia e, desta forma, embalar seus temas de orinetação pop. O belo nome do agrupamento foi resgatado pelo próprio Kooper – inspirado por ter tocado com a mão sangrando em um show de fim de noite – através de um álbum de mesmo nome lançado por Johnny Cash, em 1963.

    Além de Al Kooper (órgão, piano e vocal), a formação original do BS&T contava com as presenças do guitarrista Steve Katz (parceiro de Kooper em sua banda anterior, o Blues Project), o baixista Jim Fielder (que já havia tocado com o Buffalo Springfield e com Zappa e os Mothers of Invention), Fred Lipsius (piano e saxofone), Randy Brecker (trompete e flugelhorn), Jerry Weiss (trompete e flugelhorn), Dick Halligan (trombone) e Bobby Colomby (bateria e percussão). Em sua fase embrionária, o grupo se apresentava como um quarteto (Al, Steve, Bobby e Jim) e a sua estréia veio em 1967 no palco do Cafe Au Go Go, em Nova York, quando abriram um show do combo psicodélico Moby Grape.

    Em pouco tempo assinaram com a gravadora Columbia e na sequência gravaram o álbum Child Is Father to the Man, aclamada estréia discográfica da trupe. Contendo canções tão inspiradas como “I Love You More Than You’ll Ever Know”, “Morning Glory” (de Tim Buckley), “My Days Are Numbered”, “Just One Smile”, “I Can’t Quit Her” e “Somethin’ Goin’ On” não é à toa que, décadas após o seu lançamento, ele ainda tenha a sua importância reconhecida: numa enquete realizada pela revista Rolling Stone em 2003, o álbum foi classificado em 264° lugar na lista dos “500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos”. Justo!

David Clayton-Thomas: a voz definitiva do BS&T

    De início brilhante, o curioso dessa história toda é que o som da banda só ganhou contornos definitivos com a entrada do vocalista canadense David Clayton-Thomas no homônimo segundo disco da turma, lançado em 1969. A saída de Kooper aconteceu porque Colomby e Katz desejavam que ele assumisse exclusivamente os teclados e deixasse o vocal para algum outro cantor que tivesse uma interpretação mais pungente que a dele. Kooper não topou a parada e afastou-se do grupo partindo para a carreira solo, gravando e produzindo não só discos individuais primorosos, como  outros tantos fantásticos ao lado de nomes como Stephen Stills, Mike Bloomfield e Shuggie Otis. Randy Brecker e Jerry Weiss também abandonaram o emprego suado: o primeiro se juntou à banda do pianista de jazz Horace Silver, antes de participar de uma infinidade de álbuns de artistas diversos; o segundo fundou a banda de rock Ambergris, gravando um obscuro álbum em 1970. 

    Quanto ao segundo trabalho do BS&T, trazia como grandes novidades, além do vocal classudo de David Clayton-Thomas, uma sonoridade mais pop do que a empregada no primeiro LP.  Com os desfalques, Colomby e Katz trataram de chamar novos músicos para completar o time: Chuck Winfield (trompete e flugehorn), Lew Soloff (trompete e flugehorn) e Jerry Hyman (trombone) se juntaram à agremiação, contabilizando no total um experiente plantel de nove instrumentistas. Ao contrário da estréia, o álbum foi rapidamente para o topo das paradas, ganhando o Grammy de disco do ano ao emplacar três singles de sucesso: “You’ve Made Me So Very Happy “ (de Brenda Holloway), “And When I Die” (de Laura Nyro) e “Spinning Wheel”, fantástica composição de Clayton-Thomas e, provavelmente, a canção mais popular da banda. A aclamação de crítica e público culminou com a participação do grupo no Festival de Woodstock. Uma saga de sangue, suor, lágrimas e lama… muita lama.

    Em 1970, a trupe lançou os discos Blood, Sweat & Tears 3 (com as conhecidas “Hi-De-Ho”, de Carole King e “Lucretia Devil”, de Clayton-Thomas) e a trilha sonora da comédia The Owl and the Pussycat, ambos não muito bem recebidos pela crítica e pelo público, obtendo vendas pouco expressivas. Só com o álbum Blood, Sweat & Tears 4 – quase todo com composições próprias dos seus integrantes – é que o prestígio retornou: mesmo sem nenhuma das músicas ter conseguido alcançar um lugar no Top 30 das paradas, ainda assim o play vendeu bem e a banda foi premiada com um disco de ouro.

    A formação no volume 4 era praticamente a mesma do álbum anterior, salvo a entrada de Dave Bargeron (trombone e tuba) no lugar de Jerry Hyman. Pra variar, um álbum com a metaleira rolando solta e faixas bem bacanas como “Go Down Gamblin”, “John The Baptist (Holy John)”, “Redemption”, “Lisa, Listen To Me”, “High On A Mountain” e “Mama Gets High”. Comercialmente falando, foi o último play de inéditas do grupo a emplacar. Uma coletânea lançada em 1972 pela Columbia ainda lhes garantiu mais um disco de ouro, mas os tempos de sucesso comercial do combo estavam com os seus dias contados. 

Sinister Vinyl Collection: https://sinistersaladmusikal.wordpress.com/category/blood-sweat-tears/

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