ENTREVISTA WHIPLASH.NET

Olá pessoal! Segue a entrevista concedida ao amigo Marcos Antonio Machado da Cruz, o Socram, editor do Whiplash.net, conhecido como o mais completo site de rock e heavy metal do Brasil. Honrado com o convite, procurei fotografar capas de discos que não havia clicado nas entrevistas dadas ao blog A Musicalidade e à revista poeira Zine. Para o blog sinistro, aproveitei a oportunidade e tirei fotos extras. Se você é adepto da arte de colecionar discos e curte matérias relacionadas ao tema – e o que é melhor, com muitas fotos de capas de discos – então esta postagem é um prato cheio. Abraços gerais e… CASTIGA!

http://whiplash.net/materias/entrevistas/222296-colecoes.html

Coleções e Colecionadores: “Castiga!”, os discos do blog Sinistro

Um dos grandes baratos de se colecionar qualquer coisa é conhecer pessoas que tem os mesmos (estranhos?) hábitos, então naturalmente não tardou para que eu acabasse conhecendo meu quase xará do blog Sinister Salad Musikal, Marco, com quem foi um prazer imenso conversar tendo como tema nossa paixão em comum, que são os bolachões. 

Grande Marco, fale um pouco sobre você, o que coleciona, quando e por qual motivo começou a colecionar:

Olá Socram e leitores do Whiplash.net! Meu nome é Marco Antonio Gonçalves, sou editor do blog Sinister Salad Musikal (https://sinistersaladmusikal.wordpress.com/), um espaço onde socializo os discos da minha coleção. Sim, sou um colecionador e pesquisador musical apaixonado pelo bom e velho bolachão. Curto e coleciono álbuns de estilos diversos, incluindo aí rock e todas as suas vertentes, MPB, jazz, blues, soul, funk e até reggae. Gosto de bandas e artistas das antigas e da atualidade, tanto os chamados clássicos como também os obscuros. Acho que a boa música sempre esteve presente em qualquer estilo musical e em qualquer década, basta abrir a mente e garimpar os bons sons que eles aparecem com naturalidade. Não sei ao certo por que comecei a colecionar discos. Um belo dia, lá estava eu adentrando os sebos da vida e vasculhando as prateleiras em busca dos álbuns que eu só possuía material em fitas k-7, gravadas das rádios. Notei que ser uma espécie de hacker de FM não me satisfazia mais. Havia chegado o momento onde o que me importava era ter o vinil na mão. Daí que comprar discos se tornou um hábito dos mais prazerosos na minha vida.

Quando você deixou de ser um simples ouvinte e passou a ser um colecionador?

Foi ali em meados dos anos 80, época em que comecei a adquirir discos com maior freqüência. O grande barato passou a ser o garimpo nos sebos e escutar LPs se tornou uma espécie de ritual. Falo daquele certo charme de ver o LP girar no toca-discos, de sacar o contexto histórico presente em determinadas obras, de olhar os detalhes das belas capas, de poder acompanhar os encartes com fotos e as letras das canções, de ter acesso a ficha técnica para saber o nome dos músicos e quais os instrumentos tocados por eles e, claro, de poder matar a curiosidade e conhecer os álbuns por completo e não só as músicas que tocavam nas rádios. Comecei a juntar algum material e percebi o quanto era bacana ter um acervo musical. Lembro que, nos primórdios, ainda moleque e com a grana curta, eu improvisava. Houve uma época que as lojas Hi-fi faziam uma promoção onde a cada compra de disco você ganhava um ticket; se juntasse 10 deles, trocava por um LP. Diante disso, passava tardes inteiras no Shopping Morumbi (próximo de onde eu morava) mendigando os vales dos clientes da loja. Era bem divertido e não saia de lá sem ao menos descolar um disco. Anos depois, eu já estava freqüentando lojas que contribuíram muito com o acervo que possuo hoje como a Eric Discos, a saudosa Nuvem 9, as lojas da Galeria do Rock, as barracas da rua dos discos na Benedito Calixto, e outros tantos sebos que eu encontrava nas minhas andanças e que hoje não existem mais. Um upgrade na minha coleção veio lá na primeira metade dos anos 90, quando comprei alguns lotes de LPs de colecionadores que estavam trocando os “ultrapassados” vinis pelos “modernosos” CDs. Nessa mesma época, saia das lojas carregado de novas aquisições, aproveitando que os preços eram pra lá de camaradas. Bons tempos!

Na matéria para a poeira Zine de 2008, você disse que estava com 4.500 discos entre LPs e CDs. Passados quase sete anos, a coleção já duplicou ou triplicou?🙂

Não chega a tanto, hehe. Ainda que eu tenha me esforçado bastante nos últimos anos e carregado muitas “falências” nas costas, a verdade é que está cada vez mais difícil encontrar discos por preços justos. De lá pra cá o preço do vinil – que já vinha encarecendo ano após ano – alcançou patamares que beiram o absurdo. Títulos que antes se encontravam aos montes por 5 reais, hoje tem gente pedindo 50, 60 reais. Falo de discos de bandas nacionais dos anos 80, mas é só um exemplo. Nem vou citar valores de obscuridades vinílicas dos anos 60 e 70 que aí é covardia. Tem vendedor querendo ficar rico às custas dos pobres colecionadores. O fato é que houve um boom do vinil e uma nova geração de aficionados por LPs emergiram das profundezas do mundo bolha. Até mesmo muitos dos colecionadores que na década de 90 e início deste século haviam trocado o som analógico pelos CDs, voltaram à carga e começaram uma nova coleção. A procura aumentou consideravelmente, virou moda e a chamada “volta do vinil” fez o preço disparar. O jeito agora é garimpar ainda mais as pepitas discográficas para não ficar com os bolsos furados. No meu caso, procuro não cometer loucuras e busco sempre adquirir um lote maior para que o preço do disco, na média, caia consideravelmente. Buenos, respondendo a sua pergunta, hoje estou com 5 mil e quinhentos LPs e cerca de 1800 CDs. Compactos tenho muito poucos. Dureza é saber que como coleciono estilos diversos, minha lista de desejos visando futuras aquisições é enorme. Certamente vou precisar de mais umas sete vidas para conseguir todos os discos que eu quero. Castiga!

Na mesma matéria, você diz que um de seus arrependimentos foi não ter comprado um lote com os seis discos do Pappo’s Blues, que tinha visto numa loja da Galeria do Rock em SP mas quando voltou dias depois eles já tinham ido embora, e desde então nunca mais tinham aparecido pra você. Ainda existe esta “maldição”?

Existe sim. É a maldição de “Pappo Napolitano de La Paternal”. Os originais, em perfeito estado de conservação como aqueles que vi nos anos 80, never more. Nesses anos todos de garimpo, achei um ou outro volume do Pappo’s Blues à venda. Infelizmente, ou estavam caros demais ou longe de um estado de conservação adequado. Tenho a reedição do Vol. 3 que consegui meio que na sorte. Anos atrás, lá estava eu falindo na Disco 7 do brother Carlinhos e do nada surgiu um argentino na loja. Conversa vai, conversa vem, ele me diz que estava hospedado em um hotel ali mesmo, no centro de Sampa, e que possuía alguns discos de bandas argentinas para negociação. Lembro que, naquele dia, eu e alguns amigos da comunidade poeira Zine (do finado Orkut) havíamos marcado um “encontro dos bolhas” no Ponto Chic. Eu já estava a caminho de lá acompanhado de Mr. Mojuba (mais conhecido como André Christovam), mas não poderia deixar de ir até o hotel para ver os discos do hermano. E lá fomos os três dar uma olhadela no lote. Detalhe: estava munido de novas aquisições, com várias sacolas repletas de discos. Ao final, valeu a pena: arrematei o Volume 3 do Pappo’s, o segundo do El Reloj, o Siesta do Aquelarre e o Pequeñas Anécdotas Sobre las Instituciones do Sui Generis. Saí de lá feliz da vida, pois sou fissurado no rock portenho. Do Pappo, também tenho discos de sua carreira solo. O considero um mestre das seis cordas, um dos meus guitar heroes desde sempre.

E pra armazenar tanta coisa, como arruma espaço? Alguma sequência específica de arrumação dos discos ou é a velha e conhecida ordem alfabética?

Eu tenho o meu cantinho em casa onde ficam os meus vinis e CDs. É uma sala pequena com discos por todos os lados. As prateleiras já estão abarrotadas de discos e quase já não sobram espaços vagos. Estou planejando usar a sala ao lado para guardar os LPs de música brasileira, e já estou providenciando mais uma estante com capacidade aproximada para 2 mil discos. Quanto à arrumação, o modus operandi é aquilo que chamo de “bagunça organizada”. Tenho tudo catalogado numa planilha Excel, constando nome dos artistas ou bandas, os títulos dos álbuns, o ano de lançamento de cada disco, de qual país é a prensagem, se a capa é simples ou gatefold, entre outras informações. Nas estantes, a separação é por estilos, mas os discos não estão acomodados em ordem alfabética. Isso porque não consigo separar os álbuns da carreira solo de Alvin Lee dos plays do Ten Years After, os discos do George Clinton dos plays do Parliament, Funkadelic e P-Funk All Stars, ou então os LPs do Grateful Dead dos discos do Jerry Garcia. E isso são só três exemplos, hehe. Geralmente eu sei onde estão os LPs e os acho facilmente, mas o tempo vem minando a minha caduquice e de vez em quando o negócio complica. Outro dia resolvi escutar o disco do Gary Kuper, o único deste obscuro cantor folk, e fiquei meio que perdido entre os bairros folk e rock 70 da minha coleção. Pra falar a verdade, até acho que organizar os discos em ordem alfabética seja a melhor solução. Provavelmente um dia vou arrumá-los dessa forma. Só estou criando coragem para fazer isso, porque sei que vai dar um trabalho dos infernos.

Manter tudo organizado demanda tempo, quanto você acha que gasta em média com este “difícil trabalho”? Familiares não reclamam que você passa muito tempo no “quartinho” – ou, pelo contrário, até acham bom que você não fica “enchendo o saco” todo o tempo (risos)?

No ano passado dei uma geral nos discos da coleção trocando os plásticos internos e externos, dando um trato em alguns LPs que estavam sujos e os organizando também. Foi uma tarefa que durou meses, mas agora está tudo em ordem. No momento, o único “trabalho” é ter que escutar as novas aquisições e guardá-las em seus respectivos locais. O que estou precisando mesmo é da nova estante para distribuir melhor os discos. Quanto aos familiares, na verdade, não tenho esse tipo de problema. Me separei há dois anos e moro junto com o meu filho, Bruno, que adora música, toca guitarra e curte bandas e artistas que eu aprecio também. Entre suas predileções musicais estão Iron Maiden, Black Sabbath, AC/DC, Guns N’ Roses, Red Hot Chili Peppers, Offspring, Beatles e Raul Seixas, só para citar alguns nomes. Ele é bem tranquilo e procuramos respeitar o espaço um do outro. Portanto, posso ficar sossegado no meu cantinho bolha que ele não vai me pentelhar quando eu estiver escutando os meus discos.

Como anda a coleção de Zappa, com o qual você começou a seção “Castiga” na Collector’s Room?

Olha, está cada vez mais difícil encontrar discos do Zappa por preços que caibam no meu bolso. Tenho visto vários bootlegs a venda na internet, mas sempre muito caros. Como sou chorão pacas, prefiro comprá-los nos sebos em que freqüento, pois aí posso negociá-los por um valor mais camarada. Atualmente tenho pouco mais de 80 LPs do mestre narigudo, fora os mais de 50 CDs. Mas ainda é pouco se considerarmos todos os títulos que saíram em seu nome, incluindo gravações oficiais e registros piratas. Fico sempre antenado nas novidades, pois álbuns dele são prioridade zero. As minhas últimas aquisições vinílicas em termos zappatistas foram três álbuns: o póstumo Finer Moments (duplo e com gravações captadas em 1972), um bootleg intitulado We Are The Mothers & This Is What We Sound Like (de 1985) e o Baby Snakes (picture disc) que eu ainda não tinha. Zappa rules!

Falando na “Castiga”, os textos eram extraídos do Sinister Salad Musical, que nos dois primeiros anos (outubro de 2007 a novembro de 2009) trazia teus comentários que eu achava muito interessantes, além das fotos e descrição técnica dos discos; por qual motivo resolveu simplificar a coisa, falta de tempo? Desânimo?

Eu criei o blog sinistro em outubro de 2007 para escrever algumas resenhas de discos, e só depois de 2 anos é que bolei a seção Sinister Vinyl Collection. De fato, mergulhei de cabeça nesse projeto, com o objetivo de fazer uma espécie de catálogo on-line com os LPs da minha coleção e, por tabela, mostrar o meu acervo aos apreciadores do velho bolachão. Desde então venho publicando fotos das capas, contracapas e encartes dos discos que possuo. Posto também os vídeos com as músicas de cada álbum e a ficha técnica, entre outras informações. Era uma idéia que eu já tinha em mente, desde que comecei a catalogar meus CDs no Rate Your Music, mas que desisti por causa de algumas limitações do site. Na verdade, não sei se vou conseguir fotografar todos os LPs, pois a produção/edição das postagens dá um certo trabalho e demanda tempo. Tanto é que em 5 anos postei apenas 1/3 da coleção. Sem falar que as minhas aquisições vinílicas de cada mês superam a média de 15 discos publicados mensalmente no blog. Mas vamos tocando o baile. Tenho fé que um dia vou conseguir deixar o Sinister atualizado, e aí só postarei as últimas aquisições.

Pergunta básica: quais os itens mais raros que você possui, e quais deram mais trabalho pra conseguir ou foram os mais caros?

Difícil responder a essa questão. É bem verdade que existem as últimas reedições que fazem com que os discos raros – e que estavam fora de catálogo – cheguem lacrados em nossas mãos por um preço mais acessível, geralmente em 180 gramas e muitas vezes com faixas bônus. Não tenho nada contra estes relançamentos, muito pelo contrário. Tanto que tenho vários deles. Não os considero raros, mas também não são baratos. Por outro lado, não é a mesma coisa que pegar uma edição original, saber que ela atravessou décadas, passou incólume por várias agulhas, vários donos e agora chega na sua mão, em ótimo estado de conservação e tocando que é uma beleza. Isso, ao meu ver, tem um peso histórico que não tem preço. Portanto, dentro daquilo que busco, as maiores raridades são justamente os LPs originais de época, principalmente de bandas e artistas obscuros dos anos 60 e 70, e que lançaram seus discos com uma tiragem pequena. Incluo também as chamadas gravações piratas, captadas em shows diversos e que para alegria dos colecionadores, acabaram sendo prensadas em vinil por anônimos. Mais ou menos dentro dessa ótica, posso citar alguns “originais de fábrica” da minha coleção: Thoughts do Virus; Flamingo do Flamin’ Groovies; One Step On do Jody Grind; Boomerang (1972); Amish (1972); Humble Gathering (1970); Quatermass (1970); Dreams/Answers do Rare Earth; Supreme Psychedelic Underground do Hell Preachers Inc.; Ciclos da banda espanhola Canarios; álbuns do Pescado Rabioso, Almendra e Invisible; os dois do Bull Angus; os três da banda californiana Pollution; os três do Sweet Smoke; os três da banda Coven; os três da banda Home; os primeiros do Gryphon, Geronimo Black, Outlaw Blues Band e Rumplestiltskin; vários do Harvey Mandel, Keef Hartley Band, Groundhogs, Savoy Brown, Taste e Hölderlin; e muitos outros de bandas obscuras que lançaram um ou dois discos, sem falar dos bootlegs diversos e de tantos outros que estou esquecendo de citar. Nas fotos, cliquei alguns. Outra praia onde o garimpo é forte, diz respeito às raridades brazucas. Me falta muita coisa, mas destaco alguns originais: vários do Marcos Valle, incluindo Vento Sul e Garra; Carlos, Erasmo do Erasmo Carlos; os 3 da fase psicodélica do Ronnie Von; Raulzito e seus Panteras; os Racionais do Tim Maia; Som, Sangue e Raça de Dom Salvador & Abolição; Quarteto Novo (1967); Brazilian Octopus (1969); os álbuns do Som Imaginário, da Banda Black Rio e do Trio Mocotó; álbuns da Rosinha de Valença, incluindo o primeiro e o Ipanema Beat; vários de trios de samba-jazz como Tamba Trio, Sambalanço Trio, Rio 65 Trio, entre outros; O Quarteto (1968); vários de artistas da “safra maldita” como Tom Zé, Jards Macalé e Jorge Mautner; Ou Não do Walter Franco; Loki? do Arnaldo Baptista; Os Baobás (1968); Brasil 1500 do Manduka; os dois do Terreno Baldio; a trilha de Deus e o Diabo na Terra do Sol; a trilha do documentário Trindade; o primeiro do Blow Up; Sodom do Kris Kringle; Os Canibais (1968); o primeiro do Guilherme Lamounier; originais dos tropicalistas, Mutantes e outros tantos de Jorge Ben, Marku Ribas, Eduardo Araujo, Baden Powell, Os Catedráticos, Cassiano, Cartola, Novos Baianos, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas, o Terço… Tem ainda os petardos de jazz, soul e funk, mas vamos tratar de amenidades que essa resposta ficou longa demais, hehe. E dá-lhe falência!

Pra você é importante a questão da prensagem original ou uma reedição supre teu desejo por um disco?

Como já disse, não tenho problemas com as reedições. Bandas e artistas de outros países, sigo a cartilha de dar preferência pelos álbuns originais, sempre buscando um preço bacana. Mas se pintar uma nova edição caprichada, também compro sem pestanejar. Nesse aspecto, três bons exemplos de aquisições recentes supimpas são os relançamentos dos discos das bandas Toad, Cargo e Czar, todas elas em vinil duplo de 180 gramas, capa gatefold resistente e com várias faixas bônus. Essas novas prensagens vem bem a calhar quando falamos de raridades cujos originais custam os olhos da cara. Com relação aos discos que englobam o universo da música brasileira, posso dizer que já fui mais intransigente. Se antes eu só comprava as primeiras prensagens, hoje em dia venho adquirindo numa boa as reedições de raridades brazucas como o Não Fale com Paredes do Módulo 1000, o Coisas do Moacir Santos ou o Paêbirú de Lula Côrtes e Zé Ramalho, já que os originais custam entre 2 e 3 mil reais, quando não pedem mais. Mas o garimpo pelas primeiras edições permanece a todo vapor. No geral, vou trabalhando assim: troco uma edição nacional pela importada, uma edição capa simples pela capa dupla, uma reedição pela original (em alguns casos, mantenho as duas edições por conter características diferentes) e dessa forma vamos cultivando a falência nossa de cada dia. Vida de colecionador de discos não é nada, nada fácil.

E bootlegs? Qual a sua relação com eles? Alguns ou vários que gostaria de ter ou compra somente quando aparece?

São itens que gosto bastante. Dificilmente eu os deixo passar batido quando vejo algum que me interessa. Colecionar bootlegs é um buraco sem fundo, tanto pela infinidade de títulos, como pelo rombo que causam no bolso. Fazendo um levantamento da minha coleção, diria que Zappa, Hendrix, Stones e Pink Floyd são os nomes que eu possuo o maior número de discos piratas, mas estou sempre aberto a falências diversas. Não dá pra não levar para casa aquele bootleg dos Yardbirds ou do Led Zeppelin quando os encontro perdidos em algum sebo da vida. Estou sempre na caça de algum. O último que eu consegui foi o “In the Land of Grey and Pink – Live BBC” do Caravan, gravado em 1971 e lançado em 2013 em vinil rosa, com capa de plástico transparente e tiragem de 500 cópias. Piratão com uma gravação excelente, realmente uma belezinha. Sou bucaneiro de carteirinha, confesso.

Existe algo em especial que você procura e ainda não conseguiu? Você pode dizer quanto estaria disposto a pagar por ele?

Tem muita coisa. Os discos do Pappo’s Blues continuam sendo uma obsessão para mim, assim como os álbuns do Aeroblus, Color Humano, Billy Bond y La Pesada, Rockal y La Cria, La Cofradía de la Flor Solar e tantos outros do rock portenho que, miseravelmente, só tenho em CD. O primeiro do Savoy Brown, prensagem original, é outro que persigo há tempos. LPs de agremiações como Eric Quincy Tate, Edgar Broughton Band, Blues Creation, Chicken Shack, Out of Focus e Quintessence, ou de nomes como Don “Sugarcane” Harris, Pat Martino, Buddy Fite, Herbie Mann e Pete Brown, só pra citar alguns, são buscas frequentes. Álbuns de bandas formadas a partir dos anos 90 como Clutch, Pelican, Radio Moscow, Calexico, Calibro 35, Medeski, Martin & Wood e Fire! (do saxofonista Mats Gustafsson) também são uma pequena amostra do que me fascina. Discos com o selo espiral da Vertigo são sempre bem-vindos. Bootlegs do Zappa, Hendrix, Stones, The Who, Pink Floyd, Deep Purple, Led Zeppelin, entre outros também estão na ordem do dia. E claro, as primeiras edições de obscuridades brazucas como Paulo Bagunça e a Tropa Maldita, Os Brazões, A Banda Tropicalista do Duprat, Flaviola e o Bando do Sol, Karma, Mandala, Bango, Satwa, Sound Factory, Tribo Massáhi, Paraibô do Hugo Filho, No Sub Reino dos Metazoários do Marconi Notaro e por aí vai. A maioria destes nacionais eu tenho as reedições, mas o desafio é mesmo descolar os originais. Já vi todos eles à venda, mas sempre com preços lunares. Quanto eu pagaria por eles? Algum valor que não faça eu penhorar a alma e nem vender um rim para sanar as dívidas, hehe. Castiga!

Pode parecer uma pergunta estranha, mas já teve algum disco que você se arrependeu de comprar, mas acabou não se desfazendo por achar que a capa é bonita ou algum motivo qualquer sem ser musical? Você tem o hábito de “fechar” coleções de artistas ou até de gravadoras/selos, algo tipo “quero todos os Vertigo Swirl, independente do artista” ou coisa parecida?

Cara, não estou lembrando de nenhum disco da coleção que caiba nesse contexto. Quando eu compro um elepê e não gosto dele, eu o devolvo e troco por outro, mas é algo bem difícil de acontecer. Nestes tempos modernos onde as pesquisas musicais na internet são corriqueiras, acabo comprando discos de artistas e bandas que eu já conheço, que já possuo alguma referência. De fato, se eu arriscar e comprar algum LP no escuro, dificilmente vou errar o alvo. E sim, procuro completar discografias diversas. Isso implica em não se desfazer de determinados discos, mesmo quando eles não são tão bons e possuem apenas algumas músicas que se salvam. Não dá, por exemplo, para desprezar completamente um Forbidden do Black Sabbath, um Giant for a Day do Gentle Giant, um It’s Hard do The Who ou um Trans do Neil Young. E selos também me cativam. Como não colecionar discos com as estampas Vertigo e Brain, ou mesmo nacionais com o selo Sábado Som e Importa Som? Eu adoro! Mas o ideal é não entrar em paranoia para fechar essas coleções. O barato é ir comprando aos poucos, sem pressa, no encalço de preços mais atraentes. Nos dias de hoje, mais do que nunca, o garimpo é a lei.

Aliás, você já comprou disco somente pela capa, sem conhecer o conteúdo?

Várias vezes, mas sempre rola esse lance do referencial. Discos de black music, por exemplo, comprei uma porrada deles por causa da capa, sem conhecer as músicas. Procuro sempre verificar a ficha técnica e aí não tem como errar. Uma banda negróide composta por músicos tocando guitarra, baixo, teclados e bateria, assessorados por uma tropa de metais rachando o assoalho, é certeza de sonzeira nos ouvidos. E isso se confirmou quando comprei no escuro álbuns de combos como Black Heat, Experience Unlimited e Señor Soul. Também ocorre muito com LPs de jazz. Você não conhece tal álbum de determinado artista, mas põe ele debaixo do braço e o leva para casa por causa da linda capa. Isso aconteceu de novo na última semana, quando topei com o álbum Jackie McLean Quintet, de 1958. Um baita disco por sinal. Acho que em todos os estilos, você acaba se confrontando com esta situação de ser enfeitiçado pela bela arte da capa. Posso citar álbuns de grupos obscuros do rock e seus registros homônimos, como o da banda alemã Odin, dos ingleses Skip Bifferty, do Raw Material ou da psicodélica Stone Circus. Eram agremiações que, na época das respectivas aquisições, eu ainda não conhecia seus discos, mas que hoje já se tornaram verdadeiros clássicos da obscuridade mundial. Modéstia à parte, posso dizer que, na busca pelos bons sons, meu faro de colecionador e pesquisador musical sempre foi afiado.

E tem algum disco que você não compraria de jeito nenhum, dentro dos gêneros que você gosta, obviamente – não estamos falando de funk carioca ou coisa parecida (risos)!

Agora o pessoal do Whiplash.net vai me xingar, hehe. Francamente, eu gosto bastante de hard rock, mas na minha coleção não entram discos do chamado hard rock farofa. Confesso que eu não suporto bandas como Bon Jovi, W.A.S.P., Poison, Europe, Cinderella, Skid Row e outras similares. Logicamente, não estou falando de Van Halen ou Whitesnake que são grupos que fazem um som bem bacana e que talvez nem se enquadrem nessa categoria. Na seara da black music, curto pacas o soul, o R&B e o funk dos anos 60 e 70 e seus instrumentais maravilhosos, mas fujo um pouco quando o som descamba para os embalos da disco music, por exemplo. Claro que eu gosto de Chic, Brass Construction, KC & the Sunshine Band e Shalamar, entre outros e curto também vários clássicos dessa época. Mas tem muitas coisas que eu abomino e não compraria discos de jeito nenhum. Quer outro exemplo? Se pegarmos as novas cantoras brasileiras, diria que compro sem pestanejar os discos da Anelis Assumpção, Juçara Marçal, Céu, Thalma de Freitas, Tulipa Ruiz, Roberta Sá e Alice Caymmi. Por outro lado, descarto completamente álbuns da Mallu Magalhães, Maria Gadu ou Ana Carolina. Mas é questão de gosto, cada um com suas predileções musicais, não é mesmo? Bom, vou lá escutar o raríssimo Belo in Carandiru e já volto (risos).

Você ouve música de alguma outra forma sem ser os bolhachões? MP3 pra você é um palavrão como é para muitos?

Ao editar as postagens no Sinister Salad Musikal, vasculho muito o YouTube e quando quero recorrer a algum disco que ainda não conheço, dou uma orelhada por lá mesmo. Como tenho muitos LPs e CDs na fila para serem escutados, me falta tempo e disposição para baixar arquivos em MP3. Ainda assim, o faço de vez em quando. Acabo recorrendo a essa prática, geralmente baixando discos de alguma banda obscura das antigas, ou então algum lançamento de qualquer banda ou artista da atualidade, ou mesmo o novo disco daquela banda clássica do coração. Depende muito, mas com certeza é uma ferramenta de pesquisa que não dá para menosprezar. E claro, se eu gostar do que escutei, compro a obra em formato físico numa relax, numa tranqüila, numa boa. Coisas de colecionador…

Falando em MP3, a galera mais jovem, talvez sobrinhos ou algo assim, não dizem que você é um “maluco” por ter tanta velharia, sendo que poderia enfiar o áudio de tudo que tem em alguns HDs? Se isto acontece, você tenta argumentar e consegue manter a calma (risos)?

Esse tipo de bullying é algo que acontece desde décadas passadas, hehe. Amigos e familiares ficavam perplexos e não entendiam a minha curtição com os discos de vinil. Mesmo nos anos 90, época que comprei centenas de LPs por preços camaradas, muitas pessoas que haviam substituído o velho bolachão pelos CDs, me criticavam dizendo que eu estava gastando dinheiro à toa com algo tão ultrapassado. De uns tempos para cá, com essa doutrina de baixar discografias completas em arquivos fuleiros, alguns amigos adeptos dessa prática estufavam o peito para falar o quanto acumular discos em casa era algo démodé e sem sentido. Se antes eu polemizava tentando explicar por que considero o vinil melhor que o CD, ou embasar a tese de que colecionar discos é um bom investimento e também uma forma de adquirir cultura; hoje em dia eu nem perco mais o meu tempo com discussões baratas. Não desprezo a prática de baixar um disco, mesmo porque faço isso de vez em quando. Esse tipo de arquivo é muito bem-vindo no momento em que posso fazer uma seleção de músicas e escutar no carro, ou durante um passeio, ou quem sabe fazendo um cooper, ou em qualquer outra atividade fora de casa. Mas aquele momento sagrado, de estar em casa escutando um LP, absorvendo o som que emana dos sulcos, acompanhando os encartes e as letras, admirando as capas… Meu amigo, aí não tem jeito, é pura devoção. Enfim, só quem coleciona discos e conhece o ritual de audição de um vinil é que vai entender perfeitamente onde eu quero chegar. É isso aí!

Colecionadores compulsivos muitas vezes pensam mais nos discos que eles ainda não tem do que os que eles já tem. Você se identifica com isto? Ser um completista o impede de sentir o prazer de ouvir música?

De forma alguma. Eu me divirto muito escutando as novas aquisições e as distribuindo nas prateleiras. E sem essa paranóia de completar determinada discografia a qualquer custo. Não sou de comprar um play raro logo quando o encontro em algum sebo. Se estiver muito caro, deixo quieto e sigo no garimpo, um dia pinta o mesmo álbum por um preço melhor. Escutar um vinil é altamente prazeroso, mas confesso que o dia a dia corrido, aliado à minha morosidade para liberar um disco para a estante, fez com que eu acumulasse algo em torno de 400 LPs que ainda não dei ouvidos. São itens comprados nos últimos meses e que estão na fila de espera para serem escutados. Eu tenho um problema com isso, pois sou mesmo um bolha caquético, conta-gotas e rastejante, ou seja, em alguns casos fico dias escutando um mesmo disco até travar o toca-discos. Também tenho outra mania: se a nova aquisição é um play dos Ventures, por exemplo, acabo escutando outros LPs da banda que já tinha no acervo. Outro dia descolei o Sure ‘Nuff do Sonny Phillips e lá estava eu escutando os outros discos do organista americano que tenho. Enfim, vou ouvindo bem devagar, sem pressa. O único problema é diminuir essa fila. De novas aquisições, devo escutar em média uns 30 discos por mês, sendo que no mesmo período outros 40 chegam pelo correio. Algo me diz que tenho que maneirar nas quebradeiras, senão tô ferrado, hehe.

Você costuma manter mais de uma cópia de discos quando surge outra que está em melhor estado, ou é uma outra prensagem, ou de nacionalidade distinta? Ou isto só acontece quando são capas diferentes?

Basicamente não fico com duplicatas. Tenho uma ou outra cópia repetida, mas são muito poucas. Se eu possuo um relançamento e consigo a edição original, se tenho uma prensagem nacional e descolo o play importado ou então se consigo um elepê em melhores condições do que a que tenho disponível, então troco no ato. Também não sou adepto da prática de colecionar o mesmo álbum com prensagens de diferentes países. Sou eclético pacas e o LP anda caro demais. Se eu almejo descolar milhares de títulos que eu ainda não tenho, então não dá para ficar acumulando discos iguais. Quem tem condições de fazer isso, beleza! No meu caso, uma cópia com uma prensagem satisfatória – tendo vinil, capa e encarte bem preservados – já me basta. De fato, só mantenho um disco repetido na coleção se o mesmo possuir capas diferentes. Tenho vários deles nesta condição e, nesse caso, não vejo problemas em ter o mesmo elepê com capas alternativas. Entre as réplicas da minha coleção estão discos dos Beatles, Jimi Hendrix, Canned Heat, Climax Blues Band, Miles Davis, Sun Ra, Jorge Ben e Moreira da Silva, entre outros. Castiga!

Se tivesse condições financeiras, você acha que chegaria a ser que nem estes acumuladores de discos brasileiros que ganharam as manchetes recentemente, com acervos de milhões de álbuns?

Ah, com dinheiro sobrando aí fica fácil. Mas acho que eu continuaria a minha saga de comprar apenas os álbuns que me interessam, sem essa de adquirir lotes fechados e correr o risco de levar para casa as famigeradas pragas de sebo ou plays repetidos. Um milhão de discos é exagero, mas com tanta música boa que rolou no passado e que abriga o presente, dá para chegar tranquilamente numa coleção com 40 mil títulos, só com bolachas finas e com o cardápio variando em pérolas do jazz, soul, rock e outros estilos. Com certeza eu investiria o meu rico dinheirinho em itens diferenciados para incrementar ainda mais a coleção do bolha sinistro.

Dentro de sua coleção, você tem algum ou alguns trabalhos favoritos?

Sempre temos os nossos discos de cabeceira e as nossas bandas do coração. Comigo não é diferente, mas a lista de favoritos é grande. Incluiria, por exemplo, o Hot Rats do Zappa, Raw Sienna do Savoy Brown, Cristo Redentor do Harvey Mandel, At Fillmore East do Allman Brothers, Acquiring the Taste do Gentle Giant, Axis: Bold as Love do Jimi Hendrix Experience, Blow by Blow do Jeff Beck, Moving On do John Mayall, The Twelve Dreams of Dr. Sardonicus do Spirit, Everybody Knows This is Nowhere do Neil Young, Killer do Alice Cooper, In the Land of Grey and Pink do Caravan… isso citando só um título por artista. E ainda tem maravilhas do Rory Gallagher, Faces, Steely Dan, David Bowie, Roy Buchanan, Canned Heat, Grand Funk Railroad, Rolling Stones, Beatles, Kinks, Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin, Thin Lizzy, Mountain, King Crimson, Pink Floyd, Gong ou Can, só para ficar nos clássicos do rock. Nem vou entrar no terreno das obscuridades do rock, das maravilhas do fusion, do funk setentista ou da música brasileira dos anos 60 e 70. São muitos discos que marcaram a minha vida e a lista só aumenta. Quer uma relação de 10 discos que tiveram alta rotatividade aqui no pedaço durante as últimas semanas, e que poderiam integrar o rol dos favoritos numa boa? Lá vai:

* Budos Band – Burnt Offering (2014)
* Calibro 35 – Traditori di tutti (2013)
* Witch – Lazy Bones !! (1975)
* Don “Sugarcane” Harris – Cup Full of Dreams (1974)
* Johnny Pate – Shaft in Africa (1973)
* Sweet Smoke – Darkness to Light (1973)
* Bull Angus – Free for All (1972)
* Centipede – Septober Energy (1971)
* Aquila – Aquila (1970)
* The Aynsley Dunbar Retaliation – Doctor Dunbar’s Prescription (1969)

A lista ficou boa, mas a fila tem que andar e amanhã tudo pode mudar. Castiga!

Qual o último álbum que você comprou, e onde você costuma comprá-los?

Geralmente vou garimpar discos nos sebos do centro de São Paulo. Costumo comprar nas lojas da Galeria Nova Barão, com maior freqüência no Big Papa Records do casal 20 Carlão e Katia, na Disco 7 do brother Carlinhos e na Blue Sonic do guru Ray. Pelo Facebook tenho adquirido pepitas discográficas com vários vendedores, mas quando o assunto é torrar as economias, não tem como não destacar dois amigos: o Marco Gaspari (da página Siri da Gaita), um colecionador de preciosidades que está vendendo algumas gemas de seu acervo particular; e o Leonardo Martins (da Classic Rock Brazil Store), um mineirinho que atualmente mora em Orlando e tem me mandado algumas raridades do arco da velha. Outros pontos de falência são a Zoyd do amigo Ézio, localizada na Galeria Presidente, e as barracas do João Pacheco e do Diaz na Praça Benedito Calixto. Quanto ao último álbum que descolei, respondo na lata: foi o primeirão do bluesman Carey Bell, de 1969, intitulado Carey Bell’s Blues Harp. Discão!

Marcão, o que você gostaria que acontecesse com seu acervo depois que você deixasse este mundo?

Pior que a gente vai envelhecendo e essa questão vem sempre à tona. Não dá para adivinhar o que a vida nos reserva. Nunca se sabe se um dia terei que vender os meus discos por algum motivo extraordinário. Sei lá! De qualquer forma, no dia em que eu partir dessa para uma melhor, o herdeiro natural de todo o acervo do bolha sinistro será o meu filho. Não sei se ele terá o mesmo ânimo, a mesma dedicação, a paciência e o cuidado que tenho para lidar com a coleção, e até mesmo para garimpar raridades nos sebos empoeirados. Não quero que ele fique refém dessa situação. O que ele decidir, será por sua conta e risco. Claro que torço para que ele continue com a coleção, que tenha prazer em lidar com esse tipo de cultura e que possa aproveitar os milhares de discos para, de alguma forma, aumentar a sua bagagem musical. Agora, se ele optar por livrar-se deles, colocando todos à venda, espero ao menos que esses discos que eu cuidei com tanto zelo durante a minha estadia na Terra, caiam nas mãos de colecionadores que tenham a mesma paixão que tive em vida pelos vinis. Aí com certeza vou descansar em paz e estarei em outro plano espiritual escutando “Cristo Redentor” do Harvey Mandel. Será a salvação!

3 respostas a ENTREVISTA WHIPLASH.NET

  1. Max diz:

    Baita entrevista. Queria ter 1% dos seus discos. Meus parabens.

  2. Rafael diz:

    show de entrevista marcão

  3. sinistersaladmusikal diz:

    Obrigado! Castiga!

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